Competições de ditados aproximam imigrantes e franceses

FONTENAY-SOUS-BOIS, FRANÇA — Talvez não haja outra atividade nas escolas francesas que mais cause suor nas palmas das mãos quanto o temido ditado. O professor lê um trecho de uma obra e o aluno o escreve, palavra por palavra. E cada erro é avaliado.

É o terror lendário de gerações de crianças em idade escolar e um rito de passagem para se tornar um francês verdadeiro. Por isso, muitos considerariam a ideia de passar uma tarde de sábado fazendo ditados por diversão nada menos do que folie — loucura. Mas foi o que cerca de 60 pessoas — avós e crianças, esposas e maridos, adolescentes e imigrantes — fizeram recentemente numa das últimas edições do La Dictée des Cités.

Os ditados coletivos começaram há três anos. Hoje eles vão de um subúrbio de Paris tomado de imigrantes para outro, todos os sábados. Abdellah Boudour, funcionário público franco-argelino de Argenteuil, subúrbio da capital, teve a ideia através de seu trabalho contra as desigualdades vividas pelos jovens de sua associação, a Force des Mixités.

Quando conheceu Rachid Santaki, escritor de suspense do subúrbio de Saint-Denis, os dois decidiram transformar o aterrorizante exercício numa competição divertida, oferecendo acesso a todos, inclusive imigrantes, que quisessem adotar e dominar o francês.

— Começamos com 40 cadeiras nas ruas do meu bairro e terminamos com mais de mil em 2015 — explicou Boudour.

O evento reúne de 60 a 200 pessoas e percorre várias cidades da França, disse Santaki.

— É a força do francês, um primeiro passo. Não vai resolver todos os problemas dos subúrbios, mas é um começo.

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