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Com hospitais sucateados, um parto custa até 53 salários na Venezuela

Da redação | 23/05/2016 11:30

CARACAS — Enquanto se deterioram os serviços médicos na Venezuela, que sofre com a falta de suprimentos em 95% dos seus hospitais, muitas mulheres se vêem obrigadas a recorrer a instituições privadas para dar à luz. No entanto, a atenção adequada para um parto normal ou uma cesárea pode custar entre 30 e 53 salários mínimos. E os preços cobrados pelas clínicas vêm sendo reajustados por conta da elevada inflação e da crise econômica que atravessa o país.

Em entrevista ao “El Universal”, especialistas explicaram que apenas um parto ou uma cesárea não representam todo o custo do procedimento necessário para dar à luz. A mãe e o bebê precisam do atendimento de uma série de especialistas e de precauções especiais para casos de emergência — exigências que maternidades públicas não são mais capazes de cumprir com as dificuldades da economia venezuelana.

— Em 2007, tive meu primeiro filho em uma maternidade pública. Foi uma gravidez delicada, ele nasceu com sete meses e lá recebeu atenção. Desta vez, meu médico me pediu para ter o bebê em uma clínica porque preciso de cesárea, mas eu não tenho seguro — disse Alejandra Herrero, que está grávida do seu segundo filho, ao jornal venezuelano.

Faltam suprimentos básicos nos hospitais venezuelanos, como bolsas de sangue e remédios. O mesmo acontece nas prateleiras de farmácias e supermercados do país. A Venezuela não possui uma forte indústria farmacêutica, de modo que o país importa a maior parte de seus medicamentos e materiais hospitalares. A atual escassez acaba afetando também grandes hospitais e farmácias privadas.

‘CONTEXTO DE GUERRA’

Em visitas recentes à Venezuela, a ONG Human Rights Watch constatou a escassez de medicamentos como analgésicos e outros voltados para o tratamento da asma, hipertensão, diabetes, doenças cardíacas, entre outras. Seringas, gaze e agulhas estavam em falta e mesmo exames laboratoriais básicos não podiam ser realizados.

Segundo o diretor da Associação Venezuelana de Clínicas e Hospitais, Aquiles Salas, a escassez leva ao aumento dos preços dos serviços médicos — que, segundo ele, ainda estão abaixo da velocidade a que sobe a inflação.

— Os custos da sala de parto e da hospitalização exigiram ajustes por conta, em primeiro lugar, do aumento do preço dos materiais e suprimentos. E, em segunda instância, para cobrir os aumentos dos honorários médicos e dos salários dos funcionários — disse Salas ao “El Universal”.

Recentemente, a Human Rights Watch alertou para a brusca deterioração do sistema de saúde na Venezuela, afirmando que os problemas vividos no país se assemelham aos de países em contextos de guerra. De acordo com a organização, o setor enfrenta uma profunda crise, com milhares de pacientes sem receber tratamentos médicos essenciais e sem materiais necessários para a realização de cirurgias.

De acordo com a rede “Médicos por la Salud”, no final de 2014, os hospitais públicos tinham uma lista de espera para cirurgias de aproximadamente 20 mil pacientes, incluindo 4 mil no Hospital Universitário de Caracas.

— Em nossa experiência documentando esse tipo de problema em países de todo o mundo, raramente noticiamos — a não ser em contextos de guerra — uma deterioração tão brusca do acesso a medicamentos essenciais, como a que temos visto na Venezuela — afirmou o diretor de saúde e direitos humanos da ONG Diederik Lohman, em reportagem publicada no jornal “Washington Post”.

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