Cidadãos se arriscam para ajudar imigrantes na Dinamarca

COPENHAGUE – Enquanto grupos de vigilantes antirrefugiados se espalham por países da Europa, vários cidadãos prestam ajuda aos recém-chegados, em muitas ocasiões violando a legislação local e se arriscando até mesmo a enfrentar punições judiciais.

Nos países nórdicos, historicamente receptivos à chegada de imigrantes, as medidas para conter a onda migratória geraram casos como o da dinamarquesa Lise Ramslog, uma aposentada de 70 anos, acusada de tráfico humano por ter dado carona a dois casais de imigrantes que ela recolheu na estrada e levou até a fronteira da Suécia. Lise, assim como centenas de cidadãos, foi indiciada pelo que antes seria visto como uma boa ação aos olhos da sociedade.

— Quando cruzamos a fronteira, eles comemoraram e choraram — conta a aposentada. — Tenho orgulho do que fiz e não me arrependo. Mas não quero ser vista como uma criminosa.

A Dinamarca, onde muitos cidadãos abrigaram judeus durante o Holocausto e fugitivos da Cortina de Ferro durante o período da Guerra Fria, adotou uma linha-dura desde o início da crise, cortando benefícios de refugiados e permitindo que a polícia confiscasse seus bens para custear os abrigos. O governo também publicou anúncios em jornais no Líbano numa tentativa de dissuadir novos imigrantes, e dificultou a reunião dos abrigados com suas famílias, aumentando o tempo de espera de um para três anos.

— Tínhamos uma sociedade segura e monocultural, e agora o país está se esfacelando — afirmou Peter Kofod Poulsen, parlamentar eleito pelo Partido Popular, que tem o combate à imigração como principal bandeira. — O número de acolhidos deve ser o mais próximo possível de zero.

A ativista e escritora Lisbeth Zornig também foi levada à Justiça por ajudar refugiados sírios a chegarem à Suécia. Por ter levado imigrantes à estação de trem, Lisbeth foi condenada a pagar uma multa equivalente a US$ 3.350 e acusada de tráfico humano, um delito tradicionalmente associado a contrabandistas gananciosos, e não a bons samaritanos.

— Nunca tinha visto pessoas enfrentando tantas necessidades na Dinamarca — conta a escritora. — Eles estavam famintos e sedentos. Não tinham nada além da roupa do corpo.

Lise teve a multa reduzida em 50% por ser aposentada, mas ainda assim afirma que o valor está acima do que pode pagar.

— Estamos perdendo o respeito pelos valores sobre os quais construímos o país e a União Europeia — afirma Andreas Kamm, secretário-geral do Conselho Dinamarquês para Refugiados.

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