China ameça romper com Taiwan se nova presidente não respeitar unidade

PEQUIM — Neste sábado, a China advertiu que poderá romper os vínculos oficiais com Taiwan caso a nova presidente da ilha, Tsai Ing-wen, não vá de acordo com o princípio de que a China continental e Taiwan são partes indivisíveis de um só país. A declaração vem um dia após o discurso de posse da primeira mulher a governar a ilha, eleita no último mês de janeiro enquanto cresce a insatisfação dos taiwaneses sobre a dependência com a China. Ela prometeu usar sua posição de poder para promover a democracia e a liberdade em seu país, apesar do tom essencialmente conciliador da sua fala de sexta-feira.

Pequim considera Taiwan como parte do seu território e tenta detectar qualquer sentimento anti-Pequim que possa dificultar ainda mais os laços com o Estreito de Taiwan. O Partido Democrático Progressista (PDP), de Tsai Ing-wen, é tradicionalmente simpático à independência da ilha.

— Os mecanismos oficiais de comunicação (entre Pequim e Taipei desde 2014) somente poderão seguir existindo se Tsai aderir ao consenso de 1992 (sobre existência de uma só China) — afirmou o porta-voz do Escritório de Assuntos Taiwaneses, Ma Xiaoguang, citado pela agência oficial Xinhua.

Em seu discurso de posse na sexta-feira, a presidente defendeu um diálogo positivo com a China. Ela reiterou que manterá a relação com o governo chinês, mas não se distanciará da cultura democrática de Taiwan.

— As relações através do Estreito se tornaram uma parte integral da construção da paz regional e da segurança coletiva — discursou ela a milhares de compatriotas na sexta-feira. — As duas partes que governam através do Estreito precisam colocar de lado a bagagem histórica e se envolver em um diálogo positivo em benefício dos povos dos dois lados.

O PDP de Tsai venceu as eleições parlamentar e presidencial por larga margem em janeiro, uma reação do eleitorado à dependência crescente da China. A legenda assume o poder após oito anos de governo do nacionalista pró-China Ma Ying-jeou, que liderou uma aproximação sem precedentes com o governo chinês.

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