Casa Branca confirma até 116 mortes de civis em bombardeios

WASHINGTON — A Casa Branca revelou nesta sexta-feira que até 116 civis foram mortos por ataques aéreos de drones e bombardeios das Forças Armadas dos Estados Unidos no Paquistão, no Iêmen, na Somália e na Líbia desde que o presidente Barack Obama assumiu o poder. O governo americano ponderou o número de civis abatidos, o que representa uma violação ao direito internacional, do mínimo de 64 ao máximo de 116 entre janeiro de 2009 e dezembro de 2015 — bem baixo dos dados de grupos de direitos humanos, que estimam 1,1 vítimas das investidas americanas.

Nos mesmos 473 bombardeios analisados pelo governo, entre 2.372 e 2.581 combatentes perderam a vida. A administração, no entanto, não especificou quando morreram os civis. Os números excluíam ainda áreas de “ativa hostilidade”, como Afeganistão, Iraque e Síria, e não contemplam as baixas registradas em operações militares em locais onde há tropas terrestres americanas. O recorte da divulgação elencou apenas países contra quem os Estados Unidos não declaram guerra oficialmente.

Para estender o compromisso ao sucessor na Casa Branca, a ser escolhido nas urnas em novembro, Obama assinou uma ordem executiva que incumbia a política de guerra do país a evitar a morte de civis. O documento, que prevê a divulgação anual desses dados, situa a proteção de civis como prioridade no planejamento das operações militares. A ordem registra ainda que o governo deve incluir “relatórios confiáveis” de grupos não-governamentais quando analisar os bombardeios para determinar o número de civis mortos.

Mas tais diretrizes podem não impactar a gestão militar do próximo comandante das Forças Armadas, que tem a prerrogativa de mudar a política de guerra a partir de uma ordem executiva própria.

Há tempos os grupos de direitos humanos alegam que a administração Obama subestima a morte de civis. A nova informação, neste sentido, pode não satisfazê-los, uma vez que o escopo geral das operações com drones, peça-chave da estratégia anti-terrorista do presidente, continua velado.

O Escritório de Jornalismo Investigativo, baseado em Londres, por exemplo, estima que houve de 492 a 1,1 mil mortes de civis em ataques de veículos aéreos não-tripulados em Paquistão, Iêmen e Somália desde 2002.

A organização internacional de direitos humanos Reprieve, de sede em Nova York, ressalvou que os relatórios anteriores sobre ataques de drones do governo se provaram falsos por observação em terra e documentos internos do governo. Para a Reprieve, o número de civis mortos ultrapassa os 4 mil, inclusive centenas de crianças.

— Mais importante agora é perguntar o que esses dados crus significam se eles omitirem detalhes básicos como os nomes dos mortos e as áreas, até os países, em que eles viviam — registrou em comunicado a entidade, para quem a administração Obama “mudou tanto a definição de ‘civil’ que qualquer estimativa [de mortos] pode estar distante da realidade”.

O diretor executivo do Centro para Civis em Conflito, em Washington, Federico Borello, cumprimentou Obama pela iniciativa. Segundo Borello, o grupo provavelmente convocaria o Congresso a transformar a ordem executiva em lei para que o próximo presidente não pudesse se desfazer dela.

— Isso é algo para que trabalhamos por 10 anos — exaltou. — Ter a proteção de civis no coração do planejamento militar é algo grande.

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