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Brexit provoca rebelião em partidos no Reino Unido

Da redação | 27/06/2016 10:30

Londres — As consequências políticas da decisão sem precedentes do Reino Unido de deixar a União Europeia (UE) intensificaram-se, com uma rebelião interna nos dois principais partidos do país. De um lado, o Partido Conservador se divide sobre a escolha do sucessor do primeiro-ministro David Cameron. Do outro, o líder do Partido Trabalhista, da oposição, denuncia uma tentativa de golpe.

Descrito como o evento mais importante na História do pós-guerra do Reino Unido, o referendo que deu vitória ao Brexit (saída do bloco europeu) deixou o país instável, praticamente sem líder e em território desconhecido. O complexo processo de negociação dos termos da separação da UE colidiu com uma crise de liderança, desencadeada pela revolta dos eleitores contra quase todo o establishment político.

Na madrugada de domingo, foi noticiada a primeira baixa do Partido Trabalhista como resultado direto do Brexit. O líder Jeremy Corbyn demitiu Hilary Benn, um dos membros mais antigos de sua equipe de liderança e secretário de Relações Exteriores do chamado Gabinete paralelo, a quem acusou de conspirar contra ele. A demissão de Benn provocou a debandada de outros dez membros da cúpula da sigla, que renunciaram em solidariedade ao colega.

A revolta nas fileiras da principal legenda da oposição reforçou o temor de que o partido sofra o que Benn chamou de uma derrota “catastrófica” se houver uma eleição geral em novembro, depois de o Partido Conservador escolher um novo líder para suceder a Cameron.

— Ele é um homem bom e decente, mas não é um líder — disse Benn sobre Corbyn, à BBC.

TRABALHISTA ENFRENTA MOÇÃO DE DESCONFIANÇA

Corbyn enfrenta um voto de desconfiança entre os seus pares nesta semana, mas prometeu manter-se firme contra os esforços para derrubá-lo. Eleito líder no ano passado numa onda de entusiasmo por suas posições de esquerda, o trabalhista está sendo criticado por falhar em persuadir eleitores em votarem pela permanência na UE. Ele tem amplo apoio de membros da base do partido, o que poderia resultar numa guerra civil potencialmente desastrosa dentro da sigla.

“Lamento que tenha havido renúncias hoje em meu Gabinete paralelo. Mas não vou trair a confiança daqueles que votaram em mim, ou os milhões de apoiadores país afora que precisam dos trabalhistas para representá-los”, disse Corbyn num comunicado. “Aqueles que quiserem mudar a liderança trabalhista devem concorrer numa eleição democrática, na qual eu serei candidato.”

O destino de Corbyn, porém, é visto como secundário em relação à escolha de quem vai liderar os conservadores, uma vez que o nomeado se tornará imediatamente premier. Os conservadores se reunirão em outubro para apontar um novo comandante. Boris Johnson, ex-prefeito de Londres e a voz de liderança na campanha pela saída da UE, está sendo considerado o favorito para assumir o lugar de Cameron.

Mas o exuberante Johnson é um ímã de controvérsias, e emergiram relatos ontem sobre esforços por parte de outros conservadores para negar-lhe o cargo, que ele vem manobrando para reivindicar. Uma possível rival do ex-prefeito é Theresa May, atualmente secretária do Interior e uma silenciosa militante a favor da permanência do Reino Unido no bloco europeu. Ela é vista como uma alternativa a Johnson e uma figura que poderia unificar o partido após o terremoto provocado pelo referendo também no Partido Conservador — cujos parlamentares ficaram praticamente rachados ao meio sobre a saída.

Alan Duncan, deputado conservador e ex-ministro, disse que é errado considerar que o novo líder deva ser necessariamente um partidário do Brexit. Outro possível candidato é Amber Rudd, secretário de Energia, que confrontou Johnson na TV e agora está sendo pressionado a concorrer pela ala mais progressista.

A crise política se acentuou no momento em que líderes europeus continuam a exigir a ação rápida do Reino Unido para a separação. O presidente do Parlamento Europeu, Martin Schulz, pediu ontem a Cameron que inicie o processo já amanhã, quando será realizada uma cúpula europeia. O premier deixou a seu sucessor a tarefa.

— Essa atitude de dúvida, simplesmente para seguir o jogo tático dos conservadores, prejudica a todos — afirmou Schulz.

Ao mesmo tempo, a ministra-chefe da Escócia, Nicola Sturgeon, pressiona pela realização de um novo referendo para declarar a independência do Reino Unido e buscar um acordo separadamente para ficar na UE. Ela reiterou a determinação de avançar com ações que poderiam desmantelar o país. Embora os escoceses tenham rejeitado a independência nas urnas, há dois anos, as circunstâncias mudaram, disse Sturgeon ontem à BBC.

PAPA PEDE CRIATIVA E SAUDÁVEL DESUNIÃO

Pesquisas apontam que a opção separatista volta a crescer entre os escoceses após o Brexit. A premier também levantou a possibilidade de o Parlamento escocês tentar bloquear a separação. Especialistas, porém, dizem que o órgão não pode vetar a retirada britânica da UE, embora possa não dar seu consentimento sobre questões relativas aos poderes autônomos do país que passem pelo bloco.

Alertando contra o “ar de divisão na Europa”, o Papa Francisco afirmou ontem que a UE deve “redescobrir a força em suas raízes, uma criativa e saudável desunião, dando mais independência e mais liberdade para os países da união”. (Com agências internacionais)

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