Autoridades americanas dizem que não tolerarão ameaças a muçulmanos

ORLANDO — Em entrevista coletiva desta quarta-feira, autoridades americanas disseram que não serão toleradas ameaças contra a comunidade muçulmana nos Estados Unidos. A declaração vem após o ataque a uma boate gay de Orlando, em que o americano de origem afegã Omar Marteen matou 49 pessoas. O atirador justificou o massacre como uma ação de apoio ao Estado Islâmico.

Desde então, a mesquita frequentada por Marteen em Fort Pierce, na Flórida, se tornou alvo de agressões pela comunidade local. O centro religioso era também frequentado por Moner-Muhammed Abu Salha, um homem-bomba que atuou na Síria há dois anos

— Proferir tais ameaças não é apenas errado, mas, em muitos casos, ilegal. Isso deve parar — declarou o procurador federal Lee Bentley.

Nesta quarta-feira, Hillary Clinton também criticou a postura agressiva contra a comunidade islâmica do país. A democrata fez referência ao polêmico discurso do seu rival na corrida à Casa Branca, Donald Trump. Após o ataque à boate, o republicano elevou o tom e repetiu sua proposta de banir a entrada de muçulmanos no país.

— Precisamos construir confiança na comunidade muçulmana do nosso país. Proibir a entrada de muçulmanos ou construir um muro não teriam impedido o atirador de Orlando — afirmou Hillary, citando também a promessa de Trump para construir um muro na fronteira entre os EUA e o México.

Em 2014, Marteen chegou a ser investigado pelo FBI por suposta conexão com Abu Salha, mas nada ficou provado.

— Estou fazendo isso para protestar contra os bombardeios dos EUA na Síria e no Iraque e contra o assassinato de mulheres e crianças. Estou fazendo isso em solidariedade aos irmãos Tsarnaev e a Moner Abu-Salha — disse Marteen em uma ligação com a polícia durante o ataque à casa noturna.

À imprensa local, o imã responsável pela mesquita nega que os dois homens fossem membros efetivos da mesquita, mas confirmou que eles costumavam rezar lá. Ele expressou preocupação com o impacto do ataque à boate para a comunidade muçulmana nos EUA:

— Isto é uma coincidência. Não se ensina nada sobre terrorismo nesta mesquita. Nada há nada nos sermões ou discursos. O que está acontecendo é horrível e estamos assustados.

Segundo o FBI, o atirador também já chegou a afirmar anteriormente que sofria na relação com seus colegas de trabalho porque era muçulmano. Nascido nos EUA, Marteen era filho de afegãos e tinha um filho criança.

ver mais notícias