Associado ao crime, partido britânico é contra todos os imigrantes

LONDRES – “Esperamos que esta pessoa seja amarrada pelo pescoço no poste mais próximo. Essa é a nossa maneira de fazer justiça”. Assim reagiu Paul Golding, um dos líderes do partido Reino Unido Primeiro (Britain First), ao ver o nome de sua agremiação política associada ao assassino da deputada britânica Jo Cox, morta na quinta-feira. A legenda ultranacionalista, que insiste em dizer que não é racista, faz campanha contra a imigração, pede a volta dos “valores tradicionais britânicos” e o fim da suposta islamização do país.

Formada em 2011 por ex-membros do Partido Nacional Britânico, a legenda tem crescido rapidamente. Mesmo com só seis mil membros, conseguiu construir um exército de fãs on-line e tem mais de 1,4 milhão de curtidas no Facebook, por exemplo — mais do que qualquer outra no país.

“O Reino Unido Primeiro se opõe à imigração em massa, independentemente de onde ela vier — a cor da sua pele não importa. O Reino Unido já está cheio”, lê-se em seu site oficial.

Não é o único partido extremista do país. Na tarde de quinta-feira, mais ou menos na mesma hora em que a deputada trabalhista era esfaqueada e baleada, Nigel Farage, líder do Partido da Independência do Reino Unido (Ukip), apresentava o novo cartaz da legenda para convencer mais eleitores a votarem a favor da saída do bloco na próxima semana: uma fileira de refugiados com a legenda: “Temos de nos libertar da UE e reaver o controle das nossas fronteiras”. O pôster gerou uma polêmica interna e foi comparado a um vídeo do regime nazista — que abre um documentário de 2005, sobre o campo de concentração de Auschwitz — pela revista britânica “New Statesman”. As semelhanças entre as peças de propaganda são impressionantes.

Encorajados pelo iminente referendo, os principais partidos de extrema-direita europeus prometeram trabalhar para uma “Primavera Patriótica” — com objetivo de enfraquecer a UE e deter a entrada de refugiados. A líder da Frente Nacional, Marine Le Pen, criticou os “discursos do medo” dos presidentes do Parlamento Europeu, Martin Schulz, e da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker, que defendem que o Reino Unido fique na UE.

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