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Artigo: Há lobos solitários na era do Estado Islâmico?

Da redação | 16/06/2016 05:20

Antes de massacrar 49 pessoas numa boate da Flórida, Omar Mateen ligou para a polícia e jurou lealdade ao líder do Estado Islâmico (EI) Abu Bakr al-Baghdadi e expressou solidariedade ao braço da al-Qaeda na Síria. Mas as autoridades americanas não viram sinais de que a chacina tenha sido orientada do exterior, e as reportagens classificaram Mateen com a expressão que se tornou comum para se referir a um terrorista operando em solo americano: “lobo solitário”.

Mateen, porém, não estava atuando num vácuo e, ao que parece, não se via como um ator solitário. Jim Comey, diretor do FBI (a polícia federal dos EUA), disse que o atirador parecia ter sido inspirado por grupos terroristas estrangeiros e que ele havia sido radicalizado, pelo menos em parte, pela internet. Embora o nível exato de sua lealdade à jihad continue opaca, Mateen usou a ligação para a polícia para estabelecer seu vínculo com a violência islâmica.

“Eles fazem parte de uma comunidade imaginária”, disse Marc Sageman, ex-oficial de operações da CIA e membro sênior do Instituto de Pesquisa de Política Internacional. “Eles fazem parte desta nação — a ummah — e ela existe online.”

Classificar Mateen como um “lobo solitário” pode obscurecer mais do que revelar, segundo Michael Smith, especialista em contraterrorismo, porque fracassa em descrever com precisão a ameaça apresentada pelo EI, e mascara a relação que o grupo vem construindo com simpatizantes no exterior.

“O Unabomber é o único ‘lobo solitário’ responsável por ato de terrorismo nos EUA. Ele desenvolveu sua própria ideologia que definia o recurso à violência”, afirmou Smith, referindo-se a Ted Kaczynski, anarquista americano que matou três pessoas com bombas caseiras enviadas pelo correio.

Segundo ele, diferentemente do Unabomber, os simpatizantes do EI buscam a violência após aderirem à ideologia do grupo e disseminá-la mediante ataques que provocam muitas mortes e atraem ampla cobertura midiática. Esse modo de agir traz ao EI vários benefícios e quase nenhuma desvantagem. O grupo não precisa treinar e armar seus recrutas num campo secreto. Estes assistem aos vídeos e sermões do EI, leem seus tweets e outras formas de propaganda e lançam atentados por conta própria.

“Os ‘ataques inspirados’ são os mais perigosos em solo americano”, disse Michael Vickers, ex-oficial de operações especiais da CIA, pois “não é necessário uma ligação prévia com o EI”.

Ao expressar solidariedade a Abu Salha, Mateen turvou as águas de sua própria fidelidade jihadista. Abu Salha morreu lutando na Frente al-Nusra, o braço da al-Qaeda na Síria e um grupo que em várias ocasiões lutou contra o EI. Mas Mateen declarou lealdade ao EI ao ligar para a polícia. A conexão com Abu Salha sugere uma comunidade online mais ampla, voltada para propagar a ideologia jihadista.

Num passo frequentemente negligenciado no Ocidente, o EI elevou os atos de terrorismo a uma forma de “adoração”, para incitar mais violência. Esta abordagem difere daquela da al-Qaeda, segundo Smith. O EI construiu um expressivo braço operacional externo e conseguiu executar uma série de ataques espetaculares na Europa.

Especialistas em contraterrorismo afirmam enfrentar grandes obstáculos para detectar e prender militantes do EI nos EUA. O ex-diretor da NSA Chris Inglis disse que o ataque em Orlando evoca em alguns pontos o atentado na maratona de Boston. Nos dois casos o FBI investigou os indivíduos responsáveis, mas não tinha provas à época em que os interrogaram para indiciá-los. Além disso, Mateen comprou legalmente suas armas, apesar de ter sido investigado por agentes federais. E outros indivíduos suspeitos de ligações com o terrorismo também podem adquirir armamento.

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