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Artigo: A campanha de hoje não existe no amanhã

Da redação | 27/04/2016 05:20

A campanha eleitoral de 2004 foi marcada pela explosão dos blogs, quando repórteres e coordenadores oficialmente começaram a perder o pouco controle que tinham sobre o noticiário político. Qualquer um com um computador podia agora divulgar notícias e comentários, quase sempre espalhando críticas à mídia tradicional e aos políticos. “Tomem essa, guardiões da mídia!”

Então, em 2008, o Facebook facilitou a tarefa das campanhas de atingirem diretamente milhões de pessoas, reduzindo ainda mais a influência das mídias tradicionais. Em 2012, o Twitter reduziu o ciclo de notícias políticas para poucos minutos, senão segundos, aumentando ainda mais o impacto sobre as notícias de campanha.

Em 2016, há um debate sobre o papel do Snapchat nas eleições. Sua presença no ecossistema midiático é inegável: na faixa etária entre 18 e 24 anos, o número de espectadores que acompanharam o primeiro debate republicano pelo aplicativo foi duas vezes maior do que o registrado nas televisões. Mas, provavelmente é muito cedo para afirmar o quão determinante ele será. Não é cedo, no entanto, para afirmar que o Snapchat é um símbolo poderoso de 2016, capaz de ter influência sobre o resultado de uma campanha.

Os executivos do Snapchat dizem que criaram o aplicativo desta forma porque é o que sua dezena de milhões de usuários deseja: é assim que eles vivem. Estrategistas veteranos e seus candidatos, que costumavam planejar suas eleições metodicamente, subitamente descobriram que não poderiam atuar mais como sempre fizeram. Diferentemente do “New York Times” e outras organizações tradicionais de mídia, que estão registrando a História para a posteridade, o Snapchat registra o aqui e o agora para o hoje. O amanhã trará algo novo que deixará o hoje obsoleto.

— Não havia mais ciclo de notícias — conta Alex Conant, estrategista da campanha presidencial de Marco Rubio. — Notícias pipocavam o tempo todo e no fim do dia quase nada importava. As coisas aconteciam e 24 horas depois todos estavam falando de outra coisa.

Jeb Bush contava com uma enorme repercussão midiática quando apresentou propostas políticas elaboradas, entre elas um detalhado plano de renovação do sistema de empréstimos estudantis.

— Jeb me disse no carro: “Isso é algo radical” — conta Tim Miller, veterano estrategista que participou da campanha de Bush.

O anúncio recebeu uma cobertura modesta e foi rapidamente soterrado por uma nova ação de Donald Trump.

Miller aponta um recente episódio no qual Trump afirmou que um manifestante que protestava em seu comício tinha “ligações com o Estado Islâmico”. Tais ligações nunca existiram.

— Ele diz que está sendo atacado pelo Estado Islâmico, a afirmação foi desmentida em oito minutos pelo Twitter, as rede de TV a cabo falaram sobre isso por três horas, e isso desapareceu — conta o estrategista.

O público vive no momento. Ainda assim, enquanto os hábitos midiáticos da juventude influenciam os dos resto do mundo, me lembro daquele velho provérbio sobre aqueles que esquecem a História. Bem, do que eu estava falando mesmo?

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