Ao menos seis crianças são mortas ou feridas por dia no Iêmen, diz Unicef

SANAA — Centenas de milhares de crianças no Iêmen correm risco de morte por desnutrição, milhões não têm acesso a cuidados de saúde ou água potável, e algumas foram recrutadas para o combate. Após um ano de guerra, a degradante situação no país é retratada em um novo relatório do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), divulgado nesta terça-feira.

De acordo com o documento, todos os lados do conflito “aumentaram exponencialmente” o uso de crianças como soldados. Há registros de 848 casos, incluindo meninos com idade inferior a dez anos.

“Em média, pelo menos seis crianças foram mortas ou feridas todos os dias”, disse o relatório “Infância no Limite”.

O Unicef confirmou 934 crianças mortas e 1.356 feridas, mas disse que elas são “apenas uma ponta do iceberg”.

— Sessenta e um por cento dos (as crianças) mortos e feridos foram em ataques aéreos (da coalizão árabe) em todo o país — afirmou Julien Harneis, representante do Unicef no Iêmen, em entrevista por telefone a partir da capital Sanaa.

Todos os lados têm violado o direito internacional pelo uso da força indiscriminada e desproporcional o que significa que “crianças morrem desnecessariamente e erroneamente”, disse ele, citando vários ataques da coalizão em mercados ao ar livre.

Serviços básicos e infraestrutura estão “à beira do colapso total”, disse o relatório, citando ataques a escolas, hospitais e nos sistemas de água e saneamento.

A ONU disse na semana passada que as partes em conflito concordaram em cessar as hostilidades a partir de 10 de abril e retomar as negociações de paz no próximo dia 18.

A guerra entre as forças do grupo rebelde Houthi, aliado do Irã, e uma coalizão liderada pela Arábia Saudita em apoio ao presidente iemenita, Abd-Rabbu Mansour Hadi, já matou mais de 6.200 pessoas em um ano.

Quase metade das 22 províncias do Iêmen está à beira da fome, informou o Programa Mundial de Alimentação da ONU.

Segundo o relatório, um número estimado de 320 mil crianças correm risco de desnutrição aguda grave, que pode deixar uma criança vulnerável a infecções respiratórias mortais, pneumonia e doenças transmitidas pela água.

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