Análise: Governo turco e EI rumam à guerra aberta

A Turquia vem tomando medidas para lutar contra o Estado Islâmico, que se fortaleceu em meio a uma guerra civil sangrenta na vizinha na Síria. Mas os críticos condenam o país por sua relutância em combater os extremistas. Por anos, forças de segurança turcas fecharam os olhos para os militantes que cruzavam sua fronteira, na maior parte rebeldes que lutavam contra as forças do presidente sírio, Bashar al-Assad.

O país queria que o presidente sírio renunciasse, e também via os rebeldes sunitas como um bastião contra os próprios curdos pró-independência da Síria. A ascensão de um enclave curdo no Norte da Síria preocupou nacionalistas na Turquia, temerosos de que inspirasse os curdos em seu próprio território — há muito tempo em busca de uma maior independência do Estado turco.

Os jihadistas na fronteira turco-síria — que eventualmente se uniram ao Estado Islâmico — usam a rota crucial para passagem de armas, recrutas e suprimentos. Mas a frouxa fiscalização permitiu que militantes se espalhassem para o interior do país, mesmo fora do autoproclamado califado em Síria e Iraque.

E quando a Turquia se juntou à coalizão contra o grupo, liderada pelos EUA, e abriu sua base aérea em Incirlik para aeronaves americanas, iniciou-se uma nova batalha com o governo turco. O Estado Islâmico reivindicou ou foi responsabilizado por pelo menos cinco grandes ataques suicidas no país no ano passado, incluindo o de terça-feira no aeroporto e dois atentados em Istambul no início deste ano. Agora, os dois lados endureceram o conflito, dizem analistas.

— Passaram de uma guerra fria a uma guerra limitada, e agora avançam para uma guerra em larga escala — diz o especialista Soner Cagaptay.

Um das questões é se a Turquia, aliada dos EUA e membro da Otan, poderia aumentar seu papel na campanha contra o EI na Síria. Os ataques aéreos foram suspensos depois que Moscou, respondendo à derrubada de um avião russo que sobrevoava a Turquia em outubro, também ameaçou os planos turcos.

A Rússia interveio na Síria no ano passado para tentar proteger Assad. Desde então, no entanto, a Turquia fez apenas voos de reconhecimento e vigilância em seu próprio espaço aéreo. Mas, esta semana, o presidente turco se encontrou com Vladimir Putin para se desculpar pelo incidente.

— Se a Turquia quer se envolver com o Estado islâmico em qualquer lugar no Norte da Síria, não poderia fazê-lo sem a bênção da Rússia — afirmou Cagaptay.

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