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Análise: Brexit, um risco mal calculado de Cameron

Da redação | 25/06/2016 04:50

LONDRES – Os discípulos de Margaret Thatcher, que governou o Reino Unido de 1979 a 1990, acreditam que, se estivesse viva, a mulher conhecida como a “Dama de Ferro” teria sido uma grande defensora do Brexit. Numa tentativa de explicar a surpreendente decisão britânica de deixar a União Europeia (UE), as TVs locais exibiram ontem várias imagens de ex-líderes do Reino Unido, Thatcher entre eles, para relembrar que o euroceticismo não é um fenômeno novo.

As quatro décadas de relações entre Londres e Bruxelas sempre foram marcadas pela desconfiança. Quando assumiu o risco de rever essa aliança, pressionado por seu próprio partido e pelo crescimento da extrema-direita, David Cameron acabou provocando seu suicídio político.

— Cameron será lembrado principalmente pela maneira como seu governo terminou. A questão europeia o atormentou e era algo que ele realmente queria evitar ou deixar em banho-maria, mas acabou engolindo sua liderança — disse o historiador Andrew Blick, do Instituto de História Contemporânea Britânica, em Londres.

As relações do Reino Unido com o bloco europeu foram construídas no rastro do pós-guerra, período marcado pela reconciliação com a Alemanha. A primeira Comunidade Econômica Europeia foi criada em 1957, mas os britânicos só se juntaram a ela em 1973. Dois anos depois, um referendo decidiu que o Reino Unido deveria permanecer no bloco, precursor da UE. Thatcher fez campanha pela integração europeia, mas nos últimos anos de seu governo já havia se tornado uma crítica de Bruxelas. Na década de 1980, ela travou batalhas históricas para reduzir as contribuições para o orçamento europeu.

Em 1997, o então primeiro-ministro trabalhista Tony Blair chegou a prometer outra consulta popular para discutir a aliança, mostrando que o euroceticismo também era um problema da esquerda. Mas esse referendo nunca aconteceu.

Quando o Ukip, partido de extrema-direita liderado por Nigel Farage, começou a crescer, com uma forte retórica anti-imigração e um discurso populista contra as elites, Cameron prometeu, em 2013, rever as relações com Bruxelas e convocar o plebiscito para discutir a aliança.

O premier acreditava que, assim, manteria os adversários da UE sob controle dentro do Partido Conservador. Em fevereiro passado, ele conseguiu negociações favoráveis para o Reino Unido, entre elas restrições aos benefícios para imigrantes e seus filhos.

Mas o referendo foi um risco mal calculado. A insatisfação com a imigração aumentou, e o Brexit — termo criado em 2012 — acabou deixando de ser um jargão político para se transformar num movimento popular, como lembrou ontem o jornal “The Guardian” em uma análise.

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