A vez dos touros: contestação às touradas aumenta na Espanha

MADRI – Enquanto os toureiros enfrentam touros de meia tonelada na Feira de Madri, e Pamplona se prepara para a corida anual em suas ruas de paralelepípedos, aumentam as tensões entre os que se opõem e os que defendem a tradição tipicamente espanhola. Pelo menos 17 cidades deixaram de contribuir financeiramente para as corridas ou aprovaram medidas que condenam, ou proíbem diretamente, as atividades ligadas a touros desde que o grupo de esquerda Podemos conseguiu seus primeiros assentos nas eleições locais e regionais há um ano.

Espera-se agora que as touradas sejam proibidas até o meio do ano em Maiorca, onde o Podemos faz parte da coalizão que governa as Ilhas Baleares, seis anos depois de elas terem sido suspensas na Catalunha — que, apesar disso, ainda permite eventos como “bou embolat”, em que se colocam duas bolas nos chifres do animal.

— Agora que a cena política mudou, temos a oportunidade de promover uma campanha local contra as touradas — disse Antonio Barroso, analista da empresa consultora de riscos políticos Teneo Intelligence. — A extrema-esquerda ganhou peso e (a tourada) tende a ser um tema que interessa a seus eleitores.

Mas, a recém-criada Fundación de Toros de Lidia — que reúne criadores, toureiros, fãs e empresários — contratou um proeminente escritório de advocacia de Madri, que apela de seis decisões contra touradas.

— Agora não poderão atacar as touradas gratuitamente. Haverá consequências — avisa Juan Pedro Domecq, representante do grupo.

Pablo Iglesias, líder do Podemos, propõe que o governo espanhol deixe de financiar as atividades taurinas, mas não quer proibir as touradas. A prefeita Manuela Carmena, por sua vez, suspendeu um subsídio anual de € 61 mil à única escola de toureiros de Madri.

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