Desemprego preocupa lideranças no Amazonas

Em Manaus, lideranças debatem sobre o aumento avassalador do nível de desemprego e o rumo da economia amazonense diante da crise política que assola o país de Norte a Sul. A situação é tão crítica que as demissões são inevitáveis para a sobrevivência do negócio, seja na indústria, no comércio ou serviços. Segundo eles, a solução está na renovação política e numa nova forma de conduzir a economia do país aplicada há médio prazo, no mínimo. Já o Amazonas conta com o PIM (Polo Industrial de Manaus) como matriz econômica, no entanto, é na diversificação de atividade e no beneficiamento extrativista que o Estado caminhará para a autossuficiência, defendem as lideranças. 

Com o tema “Em momentos de incertezas… precisamos buscar um Norte!” foi aberto o debate sobre o papel da liderança nesse contexto geral de crise, promovido pela MB Consultoria, na noite de quarta-feira (23), no Caesar Business Hotel, ao lado do Amazonas Shopping Center, zona centro-sul da cidade. O painel de gestão contou com a presença do presidente do Cieam (Centro da Indústria do Estado do Amazonas), Wilson Périco, do presidente do Grupo Benchimol, Jaime Benchimol, do presidente executivo do Grupo Simões, Aristarco Neto e do diretor da MB Consultoria, Marx Gabriel.

Entre as grandes preocupações está a evolução do número de desempregados no país, que chegou a 9,6 milhões em janeiro, segundo dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). Tal fato levou à unanimidade entre os quatro formadores de opinião, de que o Brasil passa por um momento político muito delicado, no qual, só os melhores e mais capacitados líderes sobreviverão no mercado de trabalho. “A recuperação do emprego também, um pouco de cada um em se reciclar para estar em condições profissionais para atende o momento de crise”, avaliou Jaime Benchimol.

Inclusive, este fato se justifica porque, historicamente, as grandes crises brasileiras e mundiais foram superadas a médio e longo prazos, entre 5 e 7 anos, recordam os empresários. Também é unanime a opinião de que a crise no país é essencialmente política, ocasionado severos reflexos na econômica, mas que a solução está na retomada da credibilidade por meio de uma renovação geral na atual política brasileira.

De acordo com o presidente do Cieam, Wilson Périco, o país passa por uma carência de lideres e o contexto político mostra isso. “Se nós buscarmos um nome, um exemplo a seguir hoje no contexto político e trouxermos esse conceito para dentro das instituições vamos resolver até a dificuldade sucessória que enfrentamos”, alertou.

Périco ainda ratifica que a falta de liderança é notória no país em seu aspecto político. “Eu acredito que Marx está trazendo e os cursos que ele irá apresentar, trazem propostas de solução baseado no conhecimento das pessoas que participaram desse evento. E quem sabe apareçam algumas indicações e possíveis sugestões de solução tanto no cenário político local, quanto no mundo corporativo, principalmente”, frisou. 

Segundo presidente executivo do Grupo Simões, Aristarco Neto, é o Brasil passado a limpo. “Na minha opinião, existe a corrupção com falta de educação. Então a gente tem que segregar isso, porque parece que todo o Brasil é desonesto e, não é bem isso. Nesse país tem muita gente séria, empresários com mais de 70 anos de existência retilínea. Nós não estamos numa temporada, mantemos uma tradição. Nós temos que sobreviver apesar deles (políticos)”, salientou. 

O diretor da MB Consultoria, Marx Gabriel, resaltou que nos momento de incertezas a empresa prepara um calendário especial de atividades que venham a promover discussões salutares sobre cada momento em que o país passa. “Todos os anos em meados de março nós lançamos o Programa de Educação Executiva da MB Consultoria. Em 2016, este programa terá cinco módulos que vai trabalhar a parte de liderança há nível de empresários, executivos de alto escalão de Manaus”, estacou.

Compareceram ao evento cerca de 200 convidados, entre eles representantes da PMM (Prefeitura de Manaus), líderes da indústria e do comércio, empresários, estudantes, empregados e desempregados, e ainda estavam presentes representantes do Exército Brasileiro, que são a expressão de guardiões das riquezas da Amazônia, da ordem e da soberania do Brasil, em qualquer tempo. 

Diversificação

Na visão do presidente do Cieam, Wilson Périco, para que as pessoas possam resgatar os seus empregos, principalmente no Amazonas, é preciso criar condições e comprovar a capacitação para atuar nas diversas áreas tanto do PIM (Polo Industrial de Manaus), quanto nos municípios do interior do Estado onde o extrativismo (mineração, piscicultura, fruticultura, insumos da floresta para produção de diversos produtos biofarmacológicos e biocosméticos), aliado ao beneficiamento dos produtos in natura, é a grande aposta para uma retonada da economia, há médio prazo. “Eu falo que aqui na nossa região se chutarmos uma pedra nós encontramos uma oportunidade. Agora é abraçar isso e colocar como um plano de governo e não um plano de governante e tirar o Estado dessa dependência”, frisou.

Ainda segundo Périco, a arrecadação do Amazonas está toda concentrada em Manaus, no PIM. E que agora é hora do governo desenvolver as novas matrizes econômicas dentro dos demais 61 municípios do interior do Estado, que vão se somar ao que já vem sendo feito no Polo Industrial. “E para o Estado deixar ser tão refém como é hoje de Brasília, por conta dos PPB (Processos Produtivos Básicos), por exemplo, é irmos além dos muros da capital amazonense. O momento é difícil, é de desafio, mas que será superado. E na questão do desemprego, como é que esse indivíduo vai estar melhor preparado para aproveitar as oportunidades depois que esses desafios forem superados? Eu digo que é através da capacitação adequada para nossa realidade regional”, concluiu o presidente do Cieam em entrevista exclusiva concedida ao Jornal do Commercio.

Contéudo Jornal do Comércio

 

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