Temer não vai reduzir benefícios dos trabalhadores, diz Paulinho da Força

SÃO PAULO – O deputado federal e sindicalista Paulo Pereira da Silva (SD-SP), o Paulinho, afirmou ao discursar no ato do Dia do Trabalhador realizado pela Força Sindical que o vice-presidente Michel Temer não vai alterar os benefícios dos trabalhadores caso assuma o governo. Ele confirmou encontros com o vice-presidente e garantiu, para o público, que não haverá mudanças.

O ato da Força Sindical reuniu vários sindicatos, associações e políticos a favor do impeachment da presidente Dilma Rousseff, na praça Campo de Bagatelle, Zona Norte de São Paulo.

– Esse também é um ato de apoio ao impeachment da Dilma, que eu ajudei a passar no Congresso. Estamos em uma crise econômica sem precedentes, com 11 milhões de desempregados. Daqui a 10 dias teremos um novo governo. E a esperança de ver o Brasil voltar a crescer e retomar esses empregos – afirmou o deputado do Solidariedade e presidente da Força Sindical.

Paulinho também criticou o “pacote de bondades” que foi anunciado pela presidente neste domingo, que inclui reajuste do Bolsa Família e da tabela de Imposto de Renda:

– Acho que ninguém mais se comove com ela. Se fosse pra fazer isso, por que não fez antes? A tabela do IR está defasada em 72% e o reajuste é de 5 %. Parecem ser um pouco de vingança. Triste é isso, vai ser por vingança, não por ação.

Paulinho também negou que pretenda assumir um ministério em um eventual governo Temer, mas confirmou a indicação de nomes para o Ministério do Trabalho e do Desenvolvimento Agrário

– Eu nunca quis ser ministro não é agora que vou ser. Mas tem dois dois nomes para sugerir: Augusto Coutinho, de Pernambuco, e outro, José Silva, de Minas Gerais. Meu partido está discutindo as pastas de Trabalho e Desenvolvimento Agrário. Queremos ajudar o Brasil a sair dessa situação que o PT nos levou – finalizou.

MARTA SUPLICY É VAIADA

A senadora Marta Suplicy (PMDB-SP), que foi vaiada ao iniciar seu discurso, também comentou o pacote de mudanças que será anunciado pela presidente Dilma, que chamou de “ato de desespero”:

– O pacote de bondades que a Dilma vai anunciar é mais um ato de desespero para deixar uma marca. Ela quer atrapalhar a transição, retirar todos os documentos antes de sair. Isso é realmente um ato de desespero.

Sobre eventuais mudanças na CLT e nos direitos dos trabalhadores, Marta foi enfática ao garantir que um eventual novo governo teria de se concentrar em estimular a economia:

– Não preocupa porque ninguém vai passar por cima da classe trabalhadora. Tem de haver medidas para estimular a economia. É uma tristeza o que a gente está vendo no fim desse governo.

Miguel Torres, vice-presidente da Força Sindical, afirmou que é preciso reunificar os trabalhadores e o país, mas mantendo os direitos dos trabalhadores.

– Não podemos admitir retrocessos nos direitos dos trabalhadores – afirmou Torres, lembrando cerca de 10 milhões de trabalhadores estão desempregados e que a política econômica precisa ser mudada.

ATO CONTRA O IMPEACHMENT

O presidente nacional do PT, Rui Falcão, afirmou no ato de 1º de Maio realizado pelas centrais sindicais e movimentos populares contra o impeachment da presidente Dilma Rousseff, no Vale do Anhangabaú, em São Paulo, que o PT não vai conversar com Michel Temer, cujo programa é “regressivo”. A presidente Dilma Rousseff chegou por volta de 13h40m ao ato e foi tocado o Hino Nacional.

– Eu não converso com golpista, eu não converso com quem trai sua própria colega de chapa. Nós vamos lutar pela democracia – disse Falcão.

Gilmar Mauro, um dos integrantes da direção do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MTST), afirmou que a entidade não vai dar trégua “a qualquer governo impostor” e que os movimentos sociais e de trabalhadores já são vitoriosos porque conseguiram construir uma unidade de esquerda.

– Não vamos dar um dia sequer de trégua a qualquer governo impostor – afirmou Mauro.

Raimundo Bonfim, da Central de Movimentos Populares, reafirmou que as entidades populares vão continuar resistindo ao impeachment.

– Não vou falar de eventual governo Temer porque não haverá governo Temer. Vamos continuar resistindo nas ruas – afirmou Bonfim, acrescentando que Paulo Pereira da Silva, o Paulinho da Força Sindical, é “vendido” e vai ser escrachado nas ruas junto com Michel Temer e com Eduardo Cunha, a quem chamou de “maior ladrão do país”

Guilherme Boulos, do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto, afirmou que o 1º de Maio acontece num momento muito grave, que “há um golpe em curso”, “uma tentativa arquitetada pela Casa Grande, pelos que desde 500 anos querem mandar neste país.

Atos contra e a favor do impeachment acontecem em 14 estados e no Distrito Federal, a maioria é pró-Dilma. Em São Paulo, a central Conlutas pede novas eleições. Em Brasília, manifestantes levaram cartazes com a palavra “golpe” em vários idiomas.

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