Temer faz nesta sexta-feira primeira reunião ministerial

BRASÍLIA — O presidente interino, Michel Temer, fará nesta sexta-feira a sua primeira reunião ministerial, no Palácio do Planalto, a partir das 9h. No encontro, ouvirá sugestões e tentará esboçar, por áreas, as primeiras medidas. Estudos feitos por sua equipe desde o começo do ano serão entregues hoje aos ministros. Há levantamentos relacionados aos programas Bolsa Família, Prouni, Fies e Pronatec. (Infográfico: o ministério de Temer)

Ontem, durante a cerimônia de posse, os novos ministros já falaram sobre o que o novo governo pretende fazer. O ministro-chefe da Casa Civil avalia em quem 180 dias haverá uma recuperação da economia por conta da expectativa positiva em relação ao novo governo, independentemente dele ser interino. Segundo ele, porém, a sociedade precisa de mais, sobretudo geração de empregos de maneira sustentável e de uma reforma da Previdência.

— Temos que corrigir os gastos públicos, gerar empregos e fazer uma reforma da Previdência, se não, daqui a alguns dias, os aposentados não receberão mais.

Segundo ele, o governo Temer tem como meta “rever o Brasil por dentro”, para recuperar a confiança no país, em seu potencial econômico e nas instituições.

EDUCAÇÃO E CULTURA

O ministro que comandará a fusão da Educação e da Cultura, Mendonça Filho, disse que nenhum dos programas em curso pelas pastas serão descontinuados. Ao contrário, serão fortalecidos e aprimorados, embora não tenha indicado como fará isso com restrições orçamentárias. Ele descartou que, juntos, os ministérios percam força.

— Você pode ter dois ministérios com pouca força ou unir duas áreas fundamentais, como Cultura e Educação, cada vez mais fortalecidas. É esse nosso objetivo.

Segundo Mendonça, o Brasil não sairá da crise se não houver uma mobilização com consensos em suas áreas.

TRANSPORTES

O ministro dos Transportes, Maurício Quintella Lessa, afirmou ao GLOBO que o presidente Michel Temer já encomendou a ele a elaboração de um programa emergencial para recuperação da malha viária no país.

Segundo Quintella, com a falta de investimentos nos últimos anos, a malha se tornou “intrafegável”, e o ministério cuidará deste ponto imediatamente. Outra diretriz é a retomada de obras pelo país, embora a União esteja sem condições. O ministro espera contar com parcerias privadas.

— A necessidade de recuperação é imensa, vamos analisar a capacidade financeira. A ordem é privatizar tudo que for possível — afirmou Quintella.

CIDADES

O tucano Bruno Araújo anunciou que as primeiras medidas de sua gestão serão uma radiografia dos principais programas de habitação e saneamento e um diagnóstico para identificar seus padrões de eficiência.

Ele fará um pente-fino para acabar com eventuais amarras burocráticas e de possível, em seu entendimento, viés ideológico.

— Minha preocupação é cuidar das atividades meio: proteção, fiscalização e operacionalização do ministério. Qualquer amarra que distancie a participação da iniciativa privada será combatida. E denúncias de fraudes serão checadas e devidamente tratadas — disse Araújo.

ESPORTE

O novo ministro do Esporte disse ontem ter certeza de que não haverá problemas nas Olimpíadas do Rio, neste cenário de mudança de governo a menos de 100 dias da competição.

— Ao contrário, os Jogos serão um sucesso absoluto, e certamente engrandecerão a imagem do Brasil perante a comunidade internacional e também deixarão um legado em benefício da população — afirmou.

Questionado sobre ter votado contra o impeachment da presidente Dilma Rousseff, justificou que seu voto foi calcado “no entendimento jurídico na comissão” e que, no entanto, foi voto vencido.

— A matéria avançou e eu pertenço ao PMDB — minimizou Picciani.

DEFESA

O novo ministro da Defesa disse que sua maior preocupação para as próximas semanas são as Olimpíadas do Rio, mesmo apontando que o Brasil não se “encontra no radar do terrorismo”.

— Há uma situação delicada hoje no país e no Rio. Eu acredito que temos plenas condições de fazer uma excelente Olimpíada, mas é preciso um grande engajamento da Defesa para suprir eventuais dificuldades que venham a ocorrer.

O Ministério da Defesa possui grandes projetos como aquisição de caças e a construção de um submarino nuclear. Jungmann disse que esses projetos estratégicos estão andando “a passos lentos” em razão de restrições orçamentárias.

DESENVOLVIMENTO SOCIAL

O novo ministro do Desenvolvimento Social e Agrário, Osmar Terra (PMDB-RS), afirmou que vai avaliar o Bolsa Família. Segundo o ministro, beneficiários que não precisam mais do programa podem sair para obter outras formas de renda.

— O Bolsa Família não pode ser uma proposta de vida — disse Terra.

Segundo ele, Dilma mentiu sobre a redução de pobreza:

— Vamos avaliar o programa, aumentar sua eficiência e responder a uma pergunta: por que um país que a presidente diz que tem menos de 10% de pobres, tem 50 milhões de pessoas precisando do Bolsa Família? Temos de explicar por que tem tanta gente. Eu acho que ela mentiu — finalizou o ministro.

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