Temer diz não se preocupar com possibilidade de votação do impeachment coincidir com Olimpíada

RIO — Após visitar o parque olímpico, o presidente interino Michel Temer afirmou, nesta terça-feira, que não se preocupa “nem minimamente” com a possibilidade de a votação final do processo de impeachment coincidir com a Olimpíada do Rio, em agosto, quando a atenção mundial estará voltada para o país.

— Nem minimamente. Vocês sabem que o Brasil não vive em função daqueles que o dirigem, mas em função do seu povo. E é em nome do povo que estamos trabalhando. Desde o primeiro momento em que assumi eu disse que o que importa é o Brasil, portanto, ao assumir, eu tomei providências como se fora definitivo. O povo não estará preocupado com isso, estará preocupado com a pujança do Brasil, revelada precisamente pela abertura dos Jogos Olímpicos — disse Temer, ao ser questionado sobre o assunto.

O presidente reuniu-se com os presidentes do Comitê Olímpico Internacional (COI), Tomas Bach, e do Comitê Olímpico Brasileiro (COB), Carlos Arthur Nuzman. Acompanhado de ministros e de representantes de bancos públicos, Temer também teve uma reunião com o governador interino do Rio, Francisco Dornelles, e com o prefeito do Rio, Eduardo Paes.

— Eu tive uma reunião com o presidente do COI, quando ele registrou um fato que todos sabemos, que 5 bilhões de pessoas acompanharão os Jogos Olímpicos. Ou seja, 5 bilhões de pessoas estarão com os olhos voltados para o nosso país — afirmou o presidente, em entrevista após a visita ao parque olímpico.

Questionado se gostaria que a presidente afastada, Dilma Rousseff, estivesse presente na abertura da Olimpíada, para simbolizar a unidade do país, Temer respondeu que “tanto faz”:

— Isso é da organização das Olimpíadas. Não é de hoje que eu falo em pacificação e na unidade do país. O que não podemos mais ter é brasileiros disputando com brasileiros. Aliás, isso foge à tradição sentimental do nosso povo, que sempre teve unidade muito grande. As Olimpíadas revelarão precisamente essa possibilidade de reunificação do pensamento nacional. Pra mim tanto faz (Dilma ir). Não tenho nenhuma objeção.

Temer não quis comentar o pedido, feito pelo Ministério Público Federal em Curitiba, de cassação dos direitos políticos, por dez anos, do presidente afastado da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ):

— Essa é uma matéria do Judiciário e do Legislativo. Eu disse, no momento em que assumi, que precisamos reconstitucionalizar o país. Precisa acabar com essa história de o Executivo se meter nos assuntos do Judiciário ou se meter nas coisas do Legislativo. Se eu respondesse a essa questão, estaria interferindo, como presidente da República, e uma matéria que não cabe ao Executivo

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