Suzuki diz que usou métodos impróprios para testar consumo de combustível

TÓQUIO – A Suzuki Motors disse, nesta quarta-feira, que usou métodos que não respeitam as regulações do Japão para determinar a eficiência no consumo de combustíveis em 2,1 milhões de carros, de 16 modelos — entre os quais está o jipinho Jimny —, vendidos no país asiático. A companhia nega que haja veículos afetados em outros países.

O anúncio coloca a montadora japonesa em meio a um escândalo na indústria automotiva e os dados de testes de carros da Volkswagen e suas subsidiárias, e de Mitsubishi e Nissan. A revelação da Suzuki pode aumentar as dúvidas em relação a todas as montadoras e os testes de economia de combustível que eles enviam para governos de todo o mundo.

A empresa, porém, disse que não vai precisar corrigir os dados, já que testes feitos anteriormente da maneira correta mostraram que os resultados estavam dentro de uma variação aceitável. Ela também alega que não houve manipulação, já que as avaliações não exageraram os dados de quilometragem por litro de combustível consumido.

Segundo a Suzuki, os testes de eficiência de consumo dos modelos na pista da montadora apresentaram resultados discrepantes. Essas divergências foram atribuídas às propriedades da área de testes — localizada em terreno alto próximo à costa, o que deixaria os dados mais suscetíveis às condições do clima.

MAIOR QUEDA EM SETE ANOS

Então, para o cálculo da medição oficial, foram usadas informações coletadas individualmente de diferentes componentes — como pneus, freios e transmissão — em um túnel de vento. A montadora alega que, comparando os resultados obtidos das duas maneiras — em túnel de vento e em uma pista de verdade —, os dados ficaram “dentro de uma variação aceitável de divergências”.

O diretor do conselho da Suzuki, Osamu Suzuki, pediu desculpas após o anúncio da adulteração do teste ter feito as ações da empresa caírem 9,4%, o maior recuo em mais de sete anos.

O valor de mercado da Suzuki é de cerca de US$ 11,7 bilhões, e suas ações já acumulam queda de mais de 29% este ano. Com uma folha de balanço indicando que a empresa tem US$ 6,9 bilhões em dinheiro e equivalentes, a montadora está mais bem posicionada para lidar com um escândalo do que a Mitsubishi, que disse ter cerca de US$ 4 bilhões.

O Ministério do Transporte do Japão informou que, à exceção de Suzuki e Mitsubishi. todas as outras montadoras relataram nesta quarta-feira não ter havido qualquer conduta incorreta em seus testes de consumo de combustível. Depois que a Mitsubishi admitiu, em abril, ter fraudado dados de consumo de quatro modelos de microcarros, o ministério pediu que cerca de 41 montadoras realizassem investigações internas.

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