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Signatários do impeachment relevam sessão conduzida por Cunha

Da redação | 18/04/2016 19:00

SÃO PAULO — Signatários do pedido de impeachment contra a presidente Dilma Rousseff, os advogados Hélio Bicudo e Janaína Paschoal disseram nesta segunda-feira não se sentirem incomodados com o fato de o processo ter sido conduzido pelo presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), réu na Operação Lava-Jato.

— A mim não incomoda. Absolutamente — disse Hélio Bicudo, que foi complementado por Janaína:

— Não estou entregando a decisão a fulano e a beltrano. Não temos o poder de pedir o impeachment de um deputado — disse ela.

A advogada fez questão de ressaltar que nenhum dos signatários do pedido tem qualquer relação com o deputado.

— Pelo contrário. Tomei um chá de cadeira de cinco horas quando fui entregar o pedido de impeachment a ele — completou.

Janaina disse ainda não ver, por ora, elementos suficientes para a saída do vice-presidente Michel Temer.

— O que tem relativo ao vice, por ora, não me parece que justifique. Se ele assumir e surgirem (evidências) que se tomem as providências. As pedaladas foram atos da presidente em conjunto com o secretário do Tesouro Nacional.

Em entrevista coletiva ao lado de Bicudo, Janaína disse que neste domingo, dia em que a Câmara votou pelo prosseguimento do processo, o Brasil deu uma “aula de democracia para o mundo”.

— Me causou um alívio não especificamente pelo resultado, mas pela maneira como tudo transcorreu. Nosso povo mostrou que é maduro — disse a advogada referindo-se às manifestações que se espalharam pelo Brasil. — Eu me senti muito representada até pelos deputados que votaram contra na medida em que colocaram suas convicções e sentimentos.

Embora tenha preferido não fazer previsões sobre o resultado da votação no Senado, Hélio Bicudo, que foi um dos fundadores do PT, afirmou que a decisão da Câmara pode repercutir no Senado.

— Espero uma tramitação normal. Depois da derrotada estrondosa na Câmara isso deve repercutir no Senado.

A advogada classificou ainda como “maluquice” a proposta de eleições gerais.

— O que estamos trabalhando aqui é o afastamento da presidente pela via do impeachment. Se ela for afastada não há nenhum artigo da Constituição Federal que fundamente essa história de eleições gerais — explicou a advogada, que foi complementada por Bicudo logo em seguida: — Isso sim é golpe.

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