Saudado como ‘presidente’, Temer diz a aliados esperar rapidez no Senado

BRASÍLIA – “Presidente!”. A saudação ao vice-presidente Michel Temer na noite de domingo, após a aprovação da abertura do processo de impeachment na Câmara, foi proclamada por diversos dos cerca de cem políticos que estiveram no Palácio do Jaburu para parabenizá-lo pela “vitória”.

Deputados, senadores e lideranças de diversos partidos estiveram até a madrugada na residência oficial de um vice com um sorriso sereno e permanente nos lábios para a cerimônia de “beija-mão” do herdeiro da cadeira presidencial.

O ambiente, no entanto, era de comedida comemoração. Na recepção oferecida, o vice optou por servir apenas lanches, como coxinhas, quibes, empadas e bolos, sem um grande jantar ou bebidas alcoólicas, para dar uma demonstração de sobriedade neste momento de incertezas. Um dos presentes comentou ao GLOBO que não haverá champanhe até que o Senado dê a palavra final sobre o impeachment.

A esposa do vice-presidente, Marcela Temer, que se manteve recolhida durante toda a tarde e início da noite enquanto a Câmara analisava o processo, deu o ar da graça no evento em um vestido estampado e salto alto. Políticos que estiveram presentes contaram que ela estava simpática e conversou sobre a família, em especial o filho de sete anos com Temer, Michelzinho, que brincava despreocupadamente entre apoiadores do pai.

Segundo relatos, o vice-presidente aparentou estar sereno e disse aos presentes que é preciso se manter “tranquilo” à espera de uma decisão “rápida” do Senado. Sua maior preocupação é conseguir finalizar a tempo o formato de seu eventual governo, para tê-lo pronto quando a presidente Dilma Rousseff seja afastada do cargo.

— Agora, é aguardar o Senado. Pelo Brasil, vamos torcer para ser uma decisão rápida — comentou Temer.

A partir de agora, dizem seus aliados, seu estado será de permanentes reuniões. Na manhã do dia seguinte à aprovação do processo, o vice já embarcou para São Paulo para começar a primeira bateria de encontros desta nova etapa do processo. Na noite de domingo, horas após a aprovação do impeachment na Câmara, fez uma previsão de como serão os próximos dias:

— O duro começa agora, temos que ter responsabilidade — afirmou aos presentes.

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