Saída de Henrique Alves causa surpresa em aliados do governo Temer

BRASÍLIA – A demissão do ministro Henrique Eduardo Alves (Turismo) nesta quinta-feira pegou de surpresa aliados do governo Temer na Câmara. Nos bastidores, muitos queriam entender os motivos do pedido de demissão neste momento e se estaria relacionada a novas informações sobre o envolvimento nas denúncias da Lava-Jato. No dia em que o senador Romero Jucá (PMDB-RR) saiu do governo, interlocutores peemedebistas e palacianos admitiram que isso fragilizaria a situação de Henrique Alves, por isso alguns parlamentares afirmaram que a saída era uma questão de tempo.

 

Oficialmente, no entanto, líderes aliados reforçaram o que consideram a diferença de procedimento entre o governo Michel Temer e o governo Dilma Roussef: substituir, com celeridade, ministros com suposto envolvimento da Lava-Jato, priorizando a governabilidade e a estabilidade política no país.

— O governo Dilma passava a mão na cabeça na cabeça dos seus. Esse não (Temer), se há alguma evidência de que tenha pactuado questões ilícitas,o presidente Temer afasta. O governo do presidente Michel Temer que ainda é um governo de transição, provisório, não pode deixar a sensação de que pactua com algum tipo de ilícito e, portante, tem que avançar na questão estrutural de que a recuperação da economia, da política e da moral é importante neste momento e sobretudo a confiança dos brasileiros e investidores — afirmou o líder do DEM, Pauderney Avelino (AM).

Um dos que defendeu enfaticamente que não fossem nomeados ministros investigados na Lava-Jato, o líder do PPS, Rubens Bueno (PR) diz que pelo menos o atual governo toma atitudes de forma rápida, ao contrário do governo do PT que transformava em “heróis” seus políticos envolvidos em corrupção.

— Até parece que eu estava dizendo uma grande novidade. Diante de uma Lava-Jato, onde estão presos os grandes empreiteiros do país, os homens mais ricos, e o governo desconsiderar isso? Pelo menos o governo Temer, diante disso e daquilo, toma logo providência, o que mostra que vai até um limite. No governo Dilma, ao contrário, tratavam as figuras envolvidas em corrupção como heróis do partido – disse Buenos, acrescentando:

— Não atrapalha (a relação com o Congresso). O governo deve continuar dando respostas cabais à grave crise que o país enfrenta.

O líder do PSD, Rogério Rosso (DF), vê na decisão de Henrique Alves de pedir demissão uma demonstração de que o aliado está disposto a preservar a governabilidade do governo Temer.

— Não sei os motivos, mas é um gesto importante, que demonstra que ele quer preservar e garantir a governabilidade do governo Temer, a transparência e a estabilidade do país. Que ele possa ter todos os direitos legais para garantir sua defesa e provar sua inocência — disse Rosso, também elogiando a resposta rápida de Temer nos casos envolvendo suspeitas sobre os ministros de seu governo.

O líder do PSDB na Câmara, Antonio Imbassahy (BA), também salienta da diferença do modus operandi entre Temer e Dilma. O líder tucano diz que ninguém é insubstituível e que os percalços vão sendo superados para que o país caminhe adiante. Já o líder do PMDB, Baleia Rossi (SP) disse que a saída se dá por um pedido de demissão, uma decisão unilateral, com motivos pessoais e que é preciso respeitar. Rossi afirmou que isso não atrapalhará o desempenho do governo na Câmara e nem a imagem perante a sociedade.

— Temos o desafio de aprovar as matérias na Câmara e nesse aspecto o governo goza de muita credibilidade na Câmara. Conseguiu avanços extraordinários de projetos importantes. (A saída) não interfere. E a sociedade está acompanhando as medidas que Michel tem apresentado principalmente na economia, para melhorar objetivamente a vida da população e observa o trabalho da Câmara de aprovar os avanços — disse o líder peemedebista.

Os líderes também saíram em defesa de Temer contra as afirmações feitas em delação pelo ex-presidente da Transpetro, Sérgio Machado. Segundo os líderes, é papel do presidente de partido pedir doações para candidatos de seu partido. E acusações como esta, feita por Machado, devem vir acompanhadas de provas, dizem os líderes.

— É preciso provar o que se fala. Passa a ser crime o que se fala e não tem prova — disse Rosso.

— Foi leviandade, mentira, citação criminosa. Repudiamos porque sabemos que ele (Temer) não nada a ver com isso e acho que as pessoas estão percebendo que o país melhora e a economia pode reagir — acrescentou o líder do PMDB.

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