‘Só ditaduras gostam de escolher os acusadores’, diz defesa de Lula

SÃO PAULO — Os advogados do ex-presidente Lula afirmam que é “descabida e censurável” a posição da força tarefa da Lava-Jato de investigar se o petista teria recebido vantagens ilícitas durante o mandato presidencial. Em petição encaminhada à ministra do Supremo Tribunal Federal, Rosa Weber, a defesa do petista ataca os investigadores afirmando que “só as ditaduras – políticas e midiáticas – gostam de escolher os acusadores” a sua vontade.

De acordo com a petição assinada pelos escritórios Teixeira Martins e Nilo Batista Advogados, o Ministério Público Federal (MPF) tentou “tumultuar” o pedido de liminar que a defesa encaminhou na segunda-feira ao STF pedindo a suspensão das investigações. Os procuradores, segundo a defesa do petista, mostraram “extremado apego e interesse incompatível com as funções ministeriais”.

“Membros da força tarefa Lava-Jato trabalham, claramente, com a força das palavras em detrimento dos fatos com objetivo de ganhar espaço na imprensa e de promover a publicidade opressiva – deixando líderes políticos ‘na posição humilhante de ter constantemente de responder a acusações e de ter a sua agenda política definida por outros”, afirma defesa do ex-presidente.

Os advogados ainda fazem menção ao juiz Sérgio Moro no documento. Eles afirmam que a suposta publicidade que os investigadores é uma “receita” lançada na internet pelo juiz em artigo sobre as Operações Mãos Limpas. Nele, Moro faz uma análise de como as revelações feitas pela imprensa “manteve o interesse do público elevado e os líderes partidários na defensiva”. O artigo foi escrito por Moro em 2004 e já foi usado por outros criminalistas para atacar o juiz e a Lava-Jato.

Os investigadores da Lava-Jato encaminharam a ministra Rosa Weber um posicionamento contrário ao pedido da defesa de Lula que pediu a suspensão das investigações alegando conflito de atribuições entre o MPF e o Ministério Público de São Paulo nas investigações sobre as obras no sítio de Atibaia (SP), frequentado pela família do ex-presidente, e o tríplex do Guarujá, que já pertenceu a ele.

“É descabido e censurável a afirmação de que haveria suspeita de que o ex-presidente Lula teria recebido vantagens ilícitas durante o “mandato presidencial”, pois não há qualquer elemento concreto que possa dar suporte a essa afirmação, senão um exacerbado entusiasmo associado a um pensamento desejoso”, afirma a petição.

A Lava-Jato investiga se o pecuarista José Carlos Bumlai, amigo do ex-presidente que confessou intermediar um empréstimo ilegal ao PT, e as construtoras OAS e Odebrecht atuaram consorciadamente para fazer a reforma no sítio em favor de Lula. Em troca, há suspeitas de que eles tenham sido beneficiados em contratos com o governo federal.

Os advogados do ex-presidente e de sua mulher, Marisa Letícia, informaram na segunda-feira que o casal não vai comparecer à audiência marcada para o próximo dia 3 pelo promotor Cássio Conserino na investigação sobre o tríplex no Guarujá. Eles protocolaram no Ministério Público de São Paulo explicações por escrito e impetraram habeas corpus no Tribunal de Justiça de São Paulo para que o casal não seja levado a depor coercitivamente. O ex-presidente e sua mulher são investigados por ocultação de patrimônio.

ver mais notícias