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Renan recebeu R$ 32 milhões de propina, diz Sérgio Machado

Da redação | 15/06/2016 18:00

BRASÍLIA — Sérgio Machado, ex-presidente da Transpetro, empresa subsidiária da Petrobras, afirmou ter repassado R$ 32 milhões em propina para o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL). Segundo ele, a maior parte — cerca de R$ 24 milhões — foi em espécie, por meio de intermediários.

Machado não conseguiu lembrar exatamente quando ocorreu o primeiro repasse, mas disse que foi em 2004 ou 2005, tendo perdurado até julho ou agosto de 2014. A partir de 2008, disse Machado, os pagamentos passaram a ser regulares, com Renan recebendo “cerca de R$ 300 mil por mês durante dez ou onze meses por ano”. O valor aumentava quando era ano eleitoral. Ainda segundo o ex-presidente da Transpetro, as reuniões com o parlamentar para tratar de propina eram menais ou bimestrais.

Machado foi presidente da Transpetro entre 2003 e 2015, período no qual disse ter repassado pouco mais de R$ 100 milhões para o PMDB, incluindo os R$ 32 milhões para Renan. Hoje, ele é um dos delatores da Operação Lava-Jato, que investiga principalmente corrupção na Petrobras.

Do dinheiro para Renan, R$ 8,2 milhões foram repassados por meio de doações eleitorais oficiais entre 2008 e 2014. Segundo Machado, foram R$ 6,7 milhões da Queiroz Galvão, R$ 1 milhão da Camargo Corrêa e R$ 500 mil da Galvão Engenharia. O restante da propina — cerca de R$ 24 milhões — foi pago m dinheiro vivo, segundo Machado.

De acordo o termo do depoimento prestado em 5 de maio deste ano, “as doações eram em geral feitas formalmente ao Diretório Nacional do PMDB e em alguns casos para o Diretório de Alagoas e até, em certos casos, para outros partidos em Alagoas, mas sempre ‘carimbadas’ para Renan Calheiros, consistindo isso no conhecimento que era transmitido aos organismos partidários de que as doações em questão seriam controladas por Renan Calheiros”.

Machado contou inclusive uma forma de não revelar para quem eram as doações: “se feitas até maio, não entravam na prestação de contas do candidato, e sim do partido”. Na ocasião, Machado se comprometeu também a apresentar planilha com discriminação dos valores.

Machado disse que conheceu Renan em 1991 e se aproximou dele anos depois, quando o ex-presidente da Transpetro era líder do PSDB no Senado, durante o governo do tucano Fernando Henrique Cardoso. Segundo ele, as reuniões eram quinzenais, para para discutir assuntos políticos e a conjuntura nacional, em geral na casa de Renan.

No começo do governo Lula, em 2004 ou 2005, Machado relatou que Renan lhe disse que “precisava manter sua estrutura e suas bases políticas e perguntou ao depoente se não poderia colaborar, ficando subentendido que essa colaboração haveria de ser obtida das empresas que tinham contratos com a Transpetro”.

Alvo da delação de Sérgio Machado, Renan elogiou na tarde desta quarta-feira a divulgação da íntegra das gravações feitas por Sérgio Machado. Mas disse que não iria comentar o fato de as gravações agora envolveram o presidente interino Michel Temer, mas desqualifica as gravações, afirmado que elas, no seu caso, “não provam nada”. Numa defesa de todos os citados, Renan chamou as delações de “fantasiosas”. Pela manhã, ele tinha feito várias críticas à atuação do Ministério Público.

— Cita, mas não prova nada. Quero cumprimentar o STF, e acho que o pior que pode acontecer nessas delações fantasiosas é você ser acusado sem saber do que é acusado, e ainda depois de vazamentos propositados. É muito boa essa decisão do Supremo que torna essas delações públicas — disse Renan.

Renan repetiu que já deu todos os esclarecimentos e disse que não “teme nada”.

— Com relação a mim, nunca autorizei ninguém parar falar em meu nome em nenhum lugar e todas as doações que recebi, em campanhas eleitorais, foram doações legais e com contas prestadas e aprovadas à Justiça e aprovadas. De modo que não tenho nada, absolutamente nada a temer — disse Renan.

Em nota, Renan afirmou que não recebeu recursos de caixa dois e que todas as doações de camapanha ocorreram dentro da lei.

“O senador Renan Calheiros reafirma que jamais recebeu recursos de caixa dois ou vantagens de quem quer que seja. Todas as doações de campanhas eleitorais ocorreram na forma da Lei, com as prestações de contas aprovadas pela Justiça. O senador não conhece Felipe Parente e nenhum dos filhos de Sérgio Machado. Mesmo se tratando de denúncia em que o depoente afirma ter ‘subentendido’, o senador está à disposição, uma vez que já prestou dois depoimentos e fará quantos outros forem necessários. O senador Renan Calheiros jamais credenciou, autorizou ou consentiu que terceiras pessoas falassem em seu nome em qualquer circunstância. Por fim, o senador afirma que não indicou o delator Machado para Transpetro, como afirmou o próprio Sérgio Machado”, diz o texto.

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