PSDB diz que não há ‘nenhuma acusação’ contra senadores citados na conversa de Jucá

BRASÍLIA — A direção nacional do PSDB divulgou nota para explicar que não há nenhuma acusação na citação de senadores Aécio Neves (MG), Aloysio Nunes Ferreira (SP), Tasso Jereissati (CE) e José Serra (SP), hoje ministro das Relações Exteriores, do partido na gravação da conversa entre o ministro do Planejamento Romero Jucá e o ex-presidente da Transpetro, Sérgio Machado, insinuando que teriam se convencido sobre os danos que as investigações da Operação Lava-Jato causariam aos tucanos. Machado foi filiado ao PSDB de 1990 a 2001, quando se filiou ao PMDB. A nota diz que não existe nos diálogos nenhuma acusação ao PSDB e aos senadores citados.

A nota do PSDB também nega que tenha havido uma “esquema” para a eleição de Aécio Neves para a presidência da Câmara em 2001, quando Machado se filiou ao partido.

“No que diz respeito à menção à eleição do senador Aécio Neves para presidente da Câmara dos Deputados, em 2001, ela se refere ao entendimento político pelo qual o PSDB apoiou o candidato do PMDB para presidente do Senado e o PMDB apoiou o candidato do PSDB para presidente da Câmara. Entendimento legítimo, feito de forma correta e amplamente acompanhado pela imprensa na época” diz a nota.

Segundo a transcrição publicada pelo jornal “Folha de S.Paulo”, Jucá garante a Machado que “caiu a ficha” de líderes do PSDB sobre o potencial de danos que a Operação Lava-Jato pode causar em vários partidos. Nesse momento, Jucá cita Aloysio, Aécio, Serra e o Jereissati. O nome de Jereissati é citado por Jucá respondendo a provocação de Machado.

“Todo mundo na bandeja para ser comido”, diz Jucá.

Ao comentar a conversa, o senador Aloysio Nunes Ferreira (PSDB-SP), citado na conversa, diz que a Lava-Jato prosseguirá sem poupar quem tiver culpa.

— Caiu a ficha do Brasil inteiro faz tempo: a Lava-Jato prosseguirá, não poupará quem tiver culpa no cartório, ninguém conseguirá detê-la e é bom que seja assim — disse o senador tucano.

O senador Jereissati e o ministro José Serra ainda não comentaram a citação de seus nomes na conversa gravada.

Leia a transcrição do trecho:

MACHADO – A situação é grave. Porque, Romero, eles querem pegar todos os políticos. É que aquele documento que foi dado…

JUCÁ – Acabar com a classe política para ressurgir, construir uma nova casta, pura, que não tem a ver com…

MACHADO – Isso, e pegar todo mundo. E o PSDB, não sei se caiu a ficha já.

JUCÁ – Caiu. Todos eles. Aloysio [Nunes, senador], [o hoje ministro José] Serra, Aécio [Neves, senador].

MACHADO – Caiu a ficha. Tasso [Jereissati] também caiu?

JUCÁ – Também. Todo mundo na bandeja para ser comido.

MACHADO – O primeiro a ser comido vai ser o Aécio.

JUCÁ – Todos, porra. E vão pegando e vão…

MACHADO – [Sussurrando] O que que a gente fez junto, Romero, naquela eleição, para eleger os deputados, para ele ser presidente da Câmara? [Mudando de assunto] Amigo, eu preciso da sua inteligência.

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