‘Protesto em São Paulo não é elitizado’, diz líder do movimento Vem Pra Rua

SÃO PAULO — Ao avaliar o protesto em São Paulo neste domingo, Rogério Chequer, líder do movimento “Vem Pra Rua”, afirmou nesta segunda-feira que o ato “não é tão elitizado quanto dizem”. Pesquisa Datafolha, divulgada nesta segunda-feira pelo jornal “Folha de S. Paulo”, revelou que o perfil dos manifestantes que foram à Avenida Paulista neste domingo se manteve elitizado. Neste domingo, o protesto contra o governo da presidente Dilma Rousseff mobilizou em São Paulo, 1,4 milhão de pessoas, segundo a PM. O número coloca a maior cifra de manifestantes nas ruas desde os protestos de 2015.

— É um processo. As primeiras manifestações tiveram um aspecto de renda mais alta do que as outras que seguiram. Conforme vão acontecendo, a gente já caminha para a parte mais baixa da pirâmide socioeconômica. Se fosse só elite nos protestos, a estação Jabaquara do Metrô não estaria lotada, como estava ontem — avalia Chequer.

De acordo com o Datafolha, os manifestantes tinham renda e escolaridade muito superiores à média da população.

O líder do movimento disse que a tendência é ter, a cada ato, mais pessoas de classes C, D e E nas ruas, não necessariamente na Avenida Paulista.

— Para muitos, R$ 7,60 (tarifa de ida e volta) fazem a diferença. E eles já passam 4 horas em mobilidade urbana de segunda a sábado, para se deslocar de casa para o trabalho. Domingo é o dia de descanso, de ficar em casa com a família, em muitos casos. A gente não vai ter a periferia em peso por razões geográficas — explica Chequer.

— Espero que sejam divulgados os números do protesto do dia 18 para comparar o que é maioria no Brasil — diz.

O “Vem Pra Rua” não programa novos atos para as próximas semanas. Nesta sexta, está programado o ato contra o impeachment de Dilma Rousseff e em defesa ao ex-presidente Lula.

Chequer classificou como preocupantes as vaias aos tucanos Geraldo Alckmin, governador de São Paulo, e Aécio Neves, senador e presidente nacional do PSDB.

— A população não pode generalizar a classe política.

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