Procurador diz que mulher de Cunha ocultou US$ 1 milhão em contas secretas

CURITIBA — As lojas exclusivas (e caríssimas) da Praça Vendôme, em Paris, estavam entre as preferidas para as compras da jornalista Claudia Cruz, mulher do presidente afastado da Câmara dos Deputados Eduardo Cunha (PMDB-RJ). Um dos destinos habituais dela, onde gastou pelo menos US$ 10 mil nos últimos dois anos, é a tradicional loja de roupas Charvet. Fundada em 1838, é uma das mais conceituadas fornecedoras de camisas sob medida e miudezas como meias e gravatas de reis, príncipes e chefes de Estado europeus.

Os gostos e gastos da “primeira família” da Câmara dos Deputados fazem parte da denúncia do Ministério Público contra Claudia Cruz aceita nesta quinta-feira pelo juiz Sérgio Moro. Para o procurador da República Deltan Dallagnol, as compras eram um dos caminhos usados por ela para lavar dinheiro ilícito depositado por Cunha durante oito anos em sua conta secreta na Suíça.

— Claudia Cruz cometeu dois tipos de lavagem de dinheiro. Um tipo, foi a ocultação em contas secretas de mais de US$ 1 milhão. O outro foi a conversão desse dinheiro em bens de luxo. Ou seja, dinheiro público foi convertido em sapatos e roupas de grife — afirmou Dallagnol em coletiva à imprensa ontem em Curitiba.

Os gastos no cartão de crédito de Cláudia mostram predileção pelo luxo. Restaurantes famosos, lojas de grife e hotéis cinco estrelas eram a rotina das viagens ao exterior dela com Cunha e a filha dele, Danielle. Visitas e compras na Chanel e na Prada estavam sempre no roteiro, seja em Nova York ou em Roma. Numa viagem para o réveillon de 2013, eles gastaram, em menos de dez dias em Miami, US$ 42,2 mil. Só para se hospedar no luxuoso The Perry foram US$ 23 mil. Na mesma viagem, os jantares custaram R$ 6,1 mil. Claudia é constantemente flagrada em restaurantes e shoppings de luxo no Rio e em Brasília.

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