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‘Político em campanha só está preocupado em receita, diz delator

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SÃO PAULO — O empresário e delator Ricardo Pessoa, atual vice-presidente da UTC Participações, afirmou nesta quinta-feira que político, em campanha, “só está preocupado com a receita”. Ele disse ainda que nem o todo dinheiro pago em espécie a políticos eram propina. Pessoa e outros dois delatores foram ouvidos pelo juiz Sérgio Moro na ação contra o marqueteiro do PT João Santana e sua mulher Mônica Moura.

— Político quando está em campanha só se preocupa com a receita e não controla despesa. Isso significa que eles são extremamente desorganizado relacionado em como conduzir uma campanha.

O empreiteiro voltou a afirmar que pagou uma dívida da campanha do prefeito de São Paulo, Fernando Haddad, a pedido do ex-tesoureiro do PT João Vaccari Netto. Pessoa voltou a afirmar que Vaccari já sabia os valores dos contratos da UTC com a Petrobras e que o pedido de propina era “automático”. O empresário afirmou ainda que a maioria do pagamento de vantagens indevidas era feita em doações legais ao diretório nacional do PT.

— Ao longo do tempo, isso (pedido de propina) passou a ser automático. Não precisava conversar — afirmou o empreiteiro.

Ele disse ainda que o pagamento ao deputado Paulinho da Força (SDD-SP) tinha como objetivo manter o “bom relacionamento” e que os repasses ao ex-deputado Valdemar da Costa Neto (PR-SP) era para manter as portas abertas no Ministério Transportes, que já foi controlado pelo partido durante os governos petistas. Pessoa explicou que a doação ao senador Aloysio Nunes (PSDB-SP), atual líder do governo no Senado, foi uma “contribuição política normal”, mas admitiu que foi feita em dinheiro em espécie com recursos de caixa dois da UTC.

— Muitos pagamentos por fora foram feitos por solicitação de político, mas não necessariamente ligadas a propina — explicou.

O diretor financeiro da UTC, Walmir Pinheiro, que também fez delação, confirmou que havia compromissos de pagamentos com o ex-tesoureiro do PT João Vaccari Neto e disse ter entregado a ele cerca de R$ 3,7 milhões em dinheiro. Segundo ele, quase 100% das contribuições ao partido fora de períodos eleitorais estavam vinculadas a contratos fechados pela empresa com a Petrobras.

O terceiro delator a ser interrogado foi o lobista Milton Pascowitch, ligado ao ex-ministro José Dirceu. Ele afirmou que tinha um compromisso com Vaccari para pagar R$ 18 milhões em propina relativo a construção da cascos para a Petrobras, mas pagou “apenas” R$ 10 milhões. Ele disse ainda que “quase todos” os fornecedores pagavam propinas na Petrobras e que “todo mundo convivia com isso”.


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