PMDB descarta nome de Paes para Planalto em 2018

RIO — Um ano depois de o prefeito do Rio, Eduardo Paes, ser apontado em seu partido como nome “natural” para disputar a Presidência da República em 2018, tendo como vitrine a realização da Olimpíada, em agosto, o PMDB não trabalha mais com essa possibilidade. O principal motivo é a mudança do cenário nacional após o afastamento da presidente Dilma Rousseff, mas também pesam as dificuldades enfrentadas pelo PMDB do Rio e o desgaste do próprio prefeito.

O projeto de Paes e dos peemedebistas cariocas é, agora, lançá-lo para governador. A chapa já está praticamente montada, com Leonardo Picciani (PMDB) e André Corrêa (DEM) como candidatos ao Senado. A vice ficará em aberto para atrair outros partidos.

Auxiliares de Paes afirmam que disputar a Presidência da República nunca esteve em seus planos. O nome do prefeito para o Palácio do Planalto surgiu ainda no governo Dilma, quando o processo de impeachment não estava no horizonte e o PMDB defendia candidatura própria nas próximas eleições presidenciais.

Embora o presidente interino, Michel Temer, tenha declarado, com o objetivo de angariar apoios de outros partidos à sua gestão, que não pretende disputar a reeleição, no meio político a avaliação é que, se o governo der certo, ele acabará concorrendo a um segundo mandato. Também são citados como alternativas os ministros Henrique Meirelles (Fazenda) e José Serra (Relações Exteriores) que, neste caso, se filiaria ao PMDB.

— O quadro mudou bastante, o PMDB do Rio está com sérias dificuldades. E também é só olhar a situação dele (Paes) na prefeitura. Além disso, Paes não consegue ser uma liderança nacional, só trabalha localmente — disse um auxiliar de Temer.

O prefeito do Rio não tem trânsito no partido. Mesmo quanto estava cotado para disputar a Presidência da República, lideranças nacionais do PMDB diziam que, se quisesse ser candidato, Paes teria que trabalhar internamente.

Nos últimos meses, o prefeito sofreu uma série de desgastes. Um deles foi a queda de trecho da ciclovia recém-inaugurada na Avenida Niemeyer, em São Conrado, na Zona Sul do Rio, matando duas pessoas. Outro foi a divulgação de conversa com o ex-presidente Lula, gravada pela operação Lava-Jato. No diálogo, Paes presta solidariedade ao petista e classifica como uma “palhaçada” a condução coercitiva do ex-presidente, pela Polícia Federal, para prestar depoimento. Na mesma conversa, Paes chama Maricá, município da Região Metropolitana do Rio, de “uma merda de lugar”.

— Ele é muito informal e o cargo requer, às vezes, uma certa formalidade — disse um aliado, lamentando os percalços de Paes.

O prefeito ainda é alvo de inquérito, autorizado pelo Supremo Tribunal Federal, no último dia 6, para investigar se ele e o presidente do PSDB, senador Aécio Neves (MG), atuaram para maquiar dados do Banco Rural obtidos pela CPI dos Correios, que funcionou entre 2005 e 2006, com o objetivo de esconder o mensalão mineiro. Paes, que era deputado pelo PSDB, negou, em nota, que Aécio, então governador de Minas Gerais, tenha solicitado “qualquer tipo de benefício nas investigações da CPI dos Correios”.

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