PM e manifestantes entram em confronto após ocupação de escritório da Presidência em SP

SÃO PAULO — Policiais militares e manifestantes entraram em confronto, na tarde desta quarta-feira, na Avenida Paulista, após o prédio onde fica o escritório da Presidência da República em São Paulo ser ocupado. O grupo protestou contra mudanças no programa Minha Casa Minha Vida implantadas pelo governo do presidente interino Michel Temer.

Cerca de 300 manifestantes, a maioria deles integrantes do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST), entraram no prédio por volta das 15h. Segundo testemunhas, a confusão começou uma hora e meia depois, no lado de fora do edifício, quando um dos manifestantes soltou um rojão e foi detido. A mochila dele tinha outros rojões. Em seguida, um grupo cercou os policiais, que reagiram com bombas de gás lacrimogêneo e balas de borracha. Os PMs também usaram cassetetes para dispersar o grupo. Os manifestantes responderam atirando lixeiras e tijolos na direção dos policiais. Seis pessoas foram detidas, e liberadas no início da noite.

Uma cabine da PM, usada para policiamento da Avenida Paulista, foi derrubada no confronto. Lixo e pedaços de tijolos ficaram espalhados pela avenida. Três das quatro faixas da Paulista foram interditadas. Uma das entradas da estação Consolação do metrô foi fechada. No vidro localizado na entrada do edifício, os manifestantes picharam a frase “fora Temer”.

A ocupação do hall do prédio da Presidência e de uma parte da calçada continuou depois do conflito. Os manifestantes não conseguiram chegar até o escritório da Presidência, que fica no sexto andar, mas disseram que pretendem permanecer acampados no local por tempo indeterminado. Foi instalada uma cozinha improvisada. Até as 21h, já tinham sido cozinhados 70 quilos de macarrão e 15 quilos de arroz.

O grupo fez uma lista de presença das ocupações de sem-teto em edifícios e terrenos de São Paulo presentes na manifestação. São mais de dez grupos no ato. A presença em atos do MTST dá prioridade para aqueles que estão na fila em busca de habitação. Quem ficar na ocupação, ganha dois pontos.

Segundo Guilherme Boulos, líder do MTST, o protesto também é uma resposta à repressão da Polícia Militar no ato em frente à casa de Temer, no último dia 23. O ato também havia sido organizado pelos sem teto.

— É um absurdo o que a PM fez aqui. O acampamento está montado e vai ficar aqui por tempo indeterminado. Se eles quiserem tirar, que tirem à força e arquem com o ônus. Não vamos arredar pé — disse Boulos.

O líder dos sem teto afirmou ainda que a ideia é ficar na Paulista até que o governo Temer reveja a decisão de cancelar a contratação de 11.250 unidades do Minha Casa Minha Vida, que havia sido anunciada por Dilma dias antes de ser afastada do cargo.

De acordo com Boulos, a maioria dos manifestantes que participaram da ação de ontem na Paulista já estava com contrato assinado para receber a casa do programa. Entre as pessoas afetadas está Jussara Basso, uma das coordenadoras do movimento. Ela seria beneficiada com uma unidade na Vila Novo Pinheirinho, em Embu das Artes, na região metropolitana de São Paulo. Mas a construção, segundo a sem teto, foi suspensa.

Apesar da chuva que começou a cair no início da noite, o líder sem teto fez um apelo para os manifestantes permanecerem acampados no local. O Ministério das Cidades informou que não haverá interrupção do Minha Casa Minha Vida.

A Secretaria de Segurança Pública de São Paulo informou que a Polícia Militar interviu quando os manifestantes tentaram invadir o prédio. Disse ainda que as ordens policiais não foram atendidas. Segundo a pasta, um policial foi ferido por manifestantes. Uma agência bancária e uma estação do metrô foram danificadas, além da base da PM.

No começo da noite, milhares de mulheres que participavam de um ato contra o estupro coletivo da jovem de 16 anos, no Rio, passaram pelo local e se solidarizaram com os integrantes do MTST. A Tropa de Choque da PM fez um cordão de isolamento para separar os grupos e determinar o percurso do protesto das mulheres. Houve uma nova confusão nesse momento e duas pessoas foram detidas por desacato. As mulheres também carregavam faixas e gritavam palavras de ordem contra Temer. Depois de alguns minutos, elas deixaram o local. (*Estagiário sob supervisão de Flávio Freire)

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