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PF encontra documentos de reforma do sítio em apartamento de Lula

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SÃO PAULO – A Polícia Federal encontrou no apartamento do ex-presidente Lula em São Bernardo do Campo (SP) documentos referentes a intervenções e reformas no sítio de Atibaia, que o petista frequentou depois de sua saída da Presidência, a partir de 2011. A defesa do ex-presidente nega que Lula seja o proprietário do sítio e diz que ele apenas frequenta a propriedade, que foi adquirida por Bittar e Suassuna sem que ele soubesse, em 2010.

No ato de busca e apreensão, os investigadores afirmam ter encontrado recibos de compras no Depósito Dias Materiais de Construção Ltda em favor do engenheiro Igenes dos Santos Irigaray Neto e cujo local de entrega indica o endereço do sítio Santa Bárbara. A ex-proprietária do depósito afirma que a empreiteira Odebrecht pagou as compras para a reforma do imóvel. Já Irigaray Neto teria sido contratado por meio do pecuarista José Carlos Bumlai, amigo de Lula.

Ainda na busca, os agentes localizaram com a família Lula da Silva um documento intitulado “Sítio Atibaia” que, de acordo com a PF, contém “anotações possivelmente referentes a cronograma de obras; desenhos de plantas e projetos”. Havia ainda um “pedido de capa de piscina” elaborado pela empresa Acqua Summer Piscinas, em Atibaia, em 18 de janeiro de 2011, em nome do servidor da presidência Rogério Aurélio Pimentel, que atua como assessor de Lula. Pimentel comprou o objeto por R$5 50. A encomenda foi entregue no Sítio Santa Bárbara.

Os documentos reforçam a tese da acusação de que Lula é dono do local e que se envolveu nas negociações para reformas, custeadas por empreiteiras segundo as investigações.

Entre os documentos encontrados pela PF, há ainda um laudo analítico elaborado pela empresa Labortechnic Tecnologia Ltda, a pedido da Odebrecht, para verificar a qualidade da água de poços da Chácara do Otelo, também no município de Atibaia. O contrato foi firmado em 20 de setembro de 2010, mas o endereço e o nome do imóvel não são compatíveis com as informações do Sítio Santa Bárbara.

Procurado, o Instituto Lula afirmou em nota que “O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva soube que a família de Jacó Bittar e Jonas Suassuna haviam comprado o “Sítio Santa Bárbara”, em Ataibaia (SP) em 13 de janeiro de 2011. Frequentou o local pela primeira vez em 15 de janeiro de 2011. O sítio, além de servir para que amigos de longa data pudessem frequentar e conviver, também serviu para receber pequena parte do acervo presidencial entregue ao ex-presidente Lula pela Secretaria da Presidência da República ao final do seu mandato, como foi idealizado por Jacó Bittar – que é amigo de Lula e companheiro na política há mais de 35 anos”.

No sítio de Atibaia, Polícia Federal encontrou uma série de pertences relacionados ao ex-presidente Lula e à primeira-dama Marisa Letícia. No relatório da investigação, porém, não é citado nenhum objeto que possa ser relacionado a Jonas Suassuna e afirmam ter achado apenas um documento em nome de Fernando Bittar. Suassuna e Bittar são os donos oficiais da propriedade, segundo registro em cartório. Para a PF, há evidências de que o casal Lula “exercia o uso doas principais instalações e benfeitorias do sítio”.

O Instituto Lula afirma ainda em sua nota que “as reformas que foram feitas no sítio foram realizadas pelos proprietários para adequar as instalações a essas necessidades. Amigos e parentes do ex-presidente Lula acompanharam parte da reforma e auxiliaram no que era possível. A partir de janeiro de 2011, quando o ex-presidente e seus familiares passaram a frequentar o sítio em dias de descanso juntamente com os proprietários, também houve o auxílio para a manutenção do local. Esses fatos justificam todos os documentos que foram apreendidos durante a busca e apreensão realizada na residência do ex-presidente Lula e no próprio sítio em Atibaia. Não se sabe qual o critério usado pela Polícia Federal para afirmar que não há pertences dos proprietários no sítio. De qualquer forma, essa afirmação não muda em nada a propriedade do local, que é atribuída a Fernando Bittar e Jonas Suassuna por título dotado de fé pública.”.


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