PF encontra documentos de reforma do sítio em apartamento de Lula

SÃO PAULO – A Polícia Federal encontrou no apartamento do ex-presidente Lula em São Bernardo do Campo (SP) documentos referentes a intervenções e reformas no sítio de Atibaia, que o petista viria a usar depois de sua saída da presidência, a partir de 2011. Em depoimento à Polícia Federal em 4 de março, Lula negou com um meneio de cabeça que soubesse da relação de empreiteiras com obras no imóvel e rechaçou que seja o verdadeiro proprietário do sítio.

No ato de busca e apreensão, os investigadores afirmam ter encontrado recibos de compras no Depósito Dias Materiais de Construção Ltda em favor do engenheiro Igenes dos Santos Irigaray Neto e cujo local de entrega indica o endereço do sítio Santa Bárbara. A ex-proprietária do depósito afirma que a empreiteira Odebrecht pagou as compras para a reforma do imóvel. Já Irigaray Neto teria sido contratado por meio do pecuarista José Carlos Bumlai, amigo de Lula. Ainda na busca, os agentes localizaram com a família Lula da Silva um documento intitulado “Sítio Atibaia” que, de acordo com a PF, contém “anotações possivelmente referentes a cronograma de obras; desenhos de plantas e projetos”. Havia ainda um “pedido de capa de piscina” elaborado pela empresa Acqua Summer Piscinas, em Atibaia, em 18 de janeiro de 2011, em nome do servidor da presidência Rogério Aurélio Pimentel, que atua como assessor de Lula. Pimentel comprou o objeto por R$550. A encomenda foi entregue no Sítio Santa Bárbara. Os documentos reforçam a tese da acusação de que Lula é dono do local e que se envolveu nas negociações para reformas, custeadas por empreiteiras segundo as investigações.

Entre os documentos encontrados pela PF há ainda um laudo analítico elaborado pela empresa Labortechnic Tecnologia Ltda, a pedido da Odebrecht, para verificar a qualidade da água de poços da Chácara do Otelo, também no município de Atibaia. O contrato foi firmado em 20 de setembro de 2010, mas o endereço e o nome do imóvel não são compatíveis com as informações do Sítio Santa Bárbara.

Procurado, o Instituto Lula ainda não respondeu.

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