Paralelo entre Mensalão e Lava-Jato pode ser feito de ‘maneira mais aprofundada’, diz PF

CURTIBA E SÃO PAULO – O delegado da Polícia Federal Luciano Flores disse nesta segunda-feira que é possível fazer de “maneira mais aprofundada neste momento” um paralelo entre a Operação Lava-Jato e o Mensalão. Na manhã desta segunda-feira, a PF deflagrou a 29ª fase da operação, que culminou na prisão preventiva de João Cláudio Genu, ex-tesoureiro do PP e ex-assessor da Câmara dos Deputados que chegou a ser processado no Mensalão por lavagem de dinheiro e corrupção passiva.

Genu é suspeito de ser um dos beneficiários ligados ao PP no esquema de distribuição de propinas da Petrobras na Diretoria de Abastecimento. Ele seria responsável por receber dinheiro em espécie e repassá-lo ao ex-diretor de abastecimento da Petrobras Paulo Roberto Costa. Genu seria ainda o beneficiário de até 5% da propina que era paga em razão de contratos firmados com a Diretoria de Abastecimento.

Também foram expedidos mandados de prisão temporária contra o sócio de Genu em várias empresas, Lucas Amorim Alves, e contra o empresário Humberto do Amaral Carillho, que está fora do país e já é considerado foragido.

— No mensalão, Genu foi condenado porque sacou mais de R$ 1,1 milhão. Na Lava-Jato, ele não é um dos principais investigados, mas já temos mais de R$ 2 milhões comprovados de pagamento de propina para ele. Ele nunca foi parlamentar, mas estava assessorando um dos principais criadores desse esquema, o Janene (José Janene, deputado do PP morto em 2010). Ele recebia não só pessoalmente de Youssef, mas através de seu sócio Lucas Amorim, do qual temos até o recebido de propina anexado ao inquérito — disse Luciano.

O delegado classificou como “verdadeiro deboche” à Justiça e à polícia os recebimentos de propina por parte de Genu durante julgamento do Mensalão, em 2012.

— Mesmo durante essas fase em que estava sendo processado e condenado pela maior corte do País, como verdadeiro deboche à Justiça e à policia, ele continuava praticando crimes e recebendo propina — afirmou Flores.

Segundo a PF, mais de R$ 7 milhões entraram nas contas bancárias das empresas mantidas pelos três. Genu foi preso num hospital em Brasília, onde estava acompanhando um paciente.

Contra Lucas Amorim Alves, em razão de ser sócio de Genu em diversas empresas, há, segundo a Força-Tarefa, fortes indícios de que participou do esquema de lavagem de dinheiro no âmbito da Lava-Jato. Ora o dinheiro era recebido do doleiro Alberto Yousseff, ora de Carlos Charter, dono do posto da torre em Brasília.

— Desde a primeira fase estamos colhendo provas sobre esse esquema. Um dos membros da quadrilha, que idealizou o mensalão, foi repescado pela Lava-Jato, com provas cabais de mais um esquema de desvio de verba da Petrobras. A Lava-Jato só vem a mostrar o mensalão dentro da Petrobras — disse o delegado.

De acordo com a PF e o Ministério Público Federal, Genu foi apontado por Alberto Yousseff, Carlos Rocha e Fernando Baiano, delatores na operação, como um dos beneficiários da propina por intermédio de recebimento de valores em espécie.

Ele chegou a ser processado no Mensalão pelos crimes de lavagem de dinheiro e corrupção passiva pelo saque em espécie da consta SMP&B de Marcos Valério de R$ 1,1 milhão para ser destinado aos parlamentares do Partido Progressista. Condenado pelos crimes no primeiro julgamento, o ex-assessor da Câmara acabou se livrando de punição, pois a condenação por corrupção passiva teve a punibilidade extinta pela prescrição, enquanto a condenação por lavagem de dinheiro foi revista pelo STF por recursos de embargos infringentes.

Na Operação Lava Jato, Genu já havia sido alvo de busca e apreensão na Operação Politeia, determinada pelo Supremo Tribunal Federal a pedido da Procuradoria-Geral da República, em julho de 2015. A esposa e cunhada de Genu também foram alvo de busca esta manhã por serem sócias dele.

*Especial para O GLOBO

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