Para procurador da Lava-Jato, mudança de governo não é suficiente para acabar com a corrupção

SÃO PAULO – O procurador da República Deltan Dallagnol, coordenador da Operação Lava-Jato, disse nesta quarta-feira que uma mudança governo não é o suficiente para acabar com a corrupção no país. Ele também saiu em defesa de uma reforma política e tributária e enfatizou que a força-tarefa da operação continuará a agir “até onde os fatos nos levarem”.

– Mudança de governo não é caminho nenhum andado contra corrupção. Eu vivo repetindo que, ao longo da nossa história, tivemos sucessivos escândalos de corrupção em diferentes governos. Se não mudarmos as condições que favorecem à corrupção, continuaremos colhendo do mesmo.

O procurador participou de homenagem a membros do Ministério Público e da sociedade civil em São Paulo que coletaram assinaturas para a iniciativa de 10 medidas contra a corrupção e que virou um projeto de lei, atualmente na Câmara dos Deputados. Durante a sessão, ele foi ovacionado e aplaudido de pé pelos cerca de cem presentes.

Dallagnol afirmou que a Operação Lava-Jato quebrou paradigmas ao mostrar que pessoas poderosas também vão para a cadeia e citou a operação Custo Brasil, que levou à prisão o ex-ministro Paulo Bernardo na semana passada, um desdobramento da Lava-Jato, e a Boca Livre, deflagrada nesta terça-feira, que investiga fraudes na Lei Rouanet.

– A Lava-Jato tem se desdobrado o que é bom para a operação e para a sociedade. A nossa expectativa é de que essas operações também possam encontrar uma conjuntura favorável para se desenvolver e dar frutos como a Lava-Jato. Mas nosso sistema é desfuncional, produz injustiças. Se nós queremos Lava-Jatos como regra em todo pais precisamos mudar as regras.

Deltan agradeceu os presentes pela ajuda na coleta de mais de 2 milhões de assinaturas e fez um apelo para que a sociedade civil não fique paralisada diante de injustiças.

– Uma preocupação minha é que com o tempo nos tornemos como médicos que perdem a sensibilidade a sangue. O meu receio é que percamos a capacidade de nos indignar com injustiça. Não podemos fazer isso.

Ele destacou que, no Brasil, as mudanças nunca foram feitas “de baixo para cima” e que, agora que a sociedade vive um momento de empoderamento, precisa se mobilizar para conseguir reforma tributária e política, a qual classificou como “imprescindível”.

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