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Para Marina, Lula priorizou projeto de poder e não de país

Da redação | 21/06/2016 11:30

SÃO PAULO – A ex-senadora e ex-candidata à Presidência Marina Silva acusou o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva de priorizar o projeto de poder e não de país. Em entrevista ao programa “Roda Viva”, da TV Cultura na segunda-feira, ao ser indagado como definiria Lula hoje, a porta-voz da Rede Sustentabilidade respondeu:

— Um homem que perdeu a oportunidade de colocar o projeto de país acima do projeto de poder.

Ex-petista, Marina foi ministra do Meio Ambiente do governo Lula entre 2003 e 2008 e por muito tempo foi próxima ao ex-presidente. O nome de uma das filhas da ex-senadora, Moara, que nasceu durante a campanha presidencial de 1989, é uma homenagem ao líder petista. Moara, em tupi-guarani, significa “liberdade”.

No “Roda Vida” na segunda-feira, Marina afirmou que no Brasil não se discute perspectiva de nação, mas sim projetos de poder.

— Isso tem a ver com muitos dos resultados que lideranças estão amargando. As lideranças políticas se perderam nesse caminho e pagam um preço politico muito alto em razão disso – disse ela ao citar planos do PSDB e do PT “de ficarem pelo menos 20 anos no poder”.

A ex-senadora voltou a defender a cassação da chapa Dilma-Temer no Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Para ela, um governo do PMDB para substituir o do PT “seria trocar seis por meia dúzia” já que os dois partidos têm nomes implicados na Operação Lava-Jato.

— O impeachment alcança a legalidade, mas não alcança a finalidade. Se a finalidade é passar o Brasil a limpo com certeza não será o PMDB e o presidente Michel Temer que farão essa finalidade. O PT e o PMDB praticaram juntos em relação às diretorias da Petrobras. Segundo as investigações, havia até uma coordenação de propina para que houvesse equilíbrio na distribuição. A Lava-Jato já derrubou três ministros. O melhor caminho é do TSE porque cumpre com a legalidade e alcança a finalidade. Não queremos trocar seis por meia dúzia. Queremos resolver o problema do país.

Questionada sobre as primeiras semanas do governo Temer, a líder da Rede Sustentabilidade disse que o país vive um “momento difícil” e que a equipe econômica é competente, mas “dentro de um governo politicamente insolvente”.

— Nessas primeiras semanas tem a dificuldade em razão da natureza do próprio governo que vem de uma crise da qual ele é parte porque PT e PMDB estiveram juntos por 13 anos. Parece que a gente tem nesses primeiros dias uma equipe econômica tentando governar e o presidente tentando se explicar. Obviamente com o processo de impeachment em curso, o governo interino tem que equilibrar a necessidade de apresentar medidas concretas, 11 milhões de desempregados e, ao mesmo tempo, pilotar a grave crise política que está assolando o país.

NOVAS ELEIÇÕES

A líder da Rede Sustentabilidade criticou a possibilidade de a presidente afastada Dilma Rousseff defender novas eleições caso retorne ao cargo ao final do julgamento do impeachment no Senado.

— A Constituição não assegura que se possa mudar um presidente da República por uma PEC. O que tem legalidade e finalidade é o julgamento no TSE – reforçou.

DELAÇÃO DE LÉO PINHEIRO

Marina também voltou a negar que tenha recebido recurso oriundo de caixa dois para sua campanha à Presidência em 2010. Conforme revelou o colunista Lauro Jardim, durante negociação de delação premiada, o ex-presidente da OAS, Léo Pinheiro, se comprometeu a falar do caixa dois que, segundo ele, irrigou a campanha dela.

— Não se tem ainda uma delação, uma materialização. Uma injustiça muito grande com a minha campanha, que não tem um centavo de caixa 2. Eu tomei a decisão de junto com o Guilherme (Leal, então candidato à vice-presidente) em apostar no trabalho da Justiça, da Força-Tarefa da Operação Lava-Jato. Se acham que iam arrancar de mim alguma palavra contra a Lava-Jato estão enganados.

REFORMA DA PREVIDÊNCIA

Ela também defendeu um debate sobre a reforma da Previdência, o que, segundo ela é “uma necessidade histórica”, mas ressaltou que os direitos já conquistados devem ser preservados.

— É hora de discutir, sim. Agora, a lei não pode prejudicar os que já estão com esse direito. Agora como faremos isso é um debate que precisa ser aprofundado.

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