Padilha fala em ‘caminhar para uma definição final’ sobre a Lava-Jato

SÃO PAULO – Num discurso para empresários em São Paulo nesta quinta-feira, o ministro da Casa Civil, Eliseu Padilha, falou em “sensibilidade para saber o momento de caminhar para uma definição final” ao comentar as investigações da Lava-Jato. Ele completou a declaração dizendo que o país não pode correr o risco de que se repita no Brasil o que aconteceu na Itália com a Operação Mãos Limpas. Após o encontro, perguntado se a frase era uma defesa pelo fim das investigações, Padilha negou e afirmou que o governo do presidente interino Michel Temer apoia o trabalho da Lava-Jato. Temer foi um dos citados na delação do ex-presidente da Transpetro Sérgio Machado, divulgada ontem.

— Tenho certeza que os principais agentes da Lava-Jato terão a sensibilidade para saber o momento em que eles deverão aprofundar ao extremo e também de eles caminharem rumo a uma definição final. Isso tem que ser sinalizado porque vimos na Itália, onde não houve essa sinalização, e tiveram, depois do grande benefício que veio, efeitos deletérios que nós não podemos correr o risco aqui — afirmou Padilha durante o discurso em almoço com líderes empresariais.

A declaração foi feita após um dos convidados do encontro perguntar ao ministro sobre os impactos da Lava-Jato para o governo e o PMDB. Padilha iniciou a resposta elogiando o trabalhos do Ministério Público, Justiça e Polícia Federal.

— A Lava Jato presta um grande serviço ao Brasil. O Brasil será outro, aliás, já está sofrendo esse processo de transformação no que diz respeito ao exercício do poder político.

Depois, em entrevista à imprensa, ele negou que a frase significasse uma defesa do fim da Lava-Jato.

— O que eu disse é que tenho certeza que as autoridades da Lava Jato saberão o momento em que deverão pegar, aprofundar e apontar tudo que deve apontar e pensar em concluir. Eu vi e li o que aconteceu com a Operação Mãos Limpas na Itália. Todos eles conhecem tanto quanto eu. Temos que fazer com que tenhamos o melhor resultado possível. Esse é o sentido de apontar quem é culpado e quem não é. Não teve outro significado (minha fala).

CITAÇÃO DE TEMER EM DELAÇÃO

Padilha defendeu que Temer não tem que ser investigado pela citação feita por Machado em delação premida. O ex-presidente da Transpetro disse à Lava-Jato que Temer negociou com ele propina de R$ 1,5 milhão como doação para o PMDB para a campanha de Gabriel Chalita à prefeitura de São Paulo em 2012. Para ele, não há provas mínimas para que seja aberta uma apuração.

— A citação é de um encontro que não existe. Eu convivo com o presidente Michel há 22 anos e sei que, se ele diz que não existe, é porque não existe. Teria que vir junto uma prova mínima de que tal encontro existiu (para haver investigação).

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