Nobel da Paz cita ‘golpe’ no Senado e causa indignação entre parlamentares

BRASÍLIA – Depois de se reunir com a presidente Dilma Rousseff, Adolfo Pérez Esquivel, vencedor Prêmio Nobel da Paz em 1980, fez um pronunciamento no plenário do Senado, onde reafirmou ter preocupação com um “possível golpe de Estado” no Brasil. Esquivel foi convidado a dar uma palavra de saudação ao Senado, mas acabou mencionando a questão do impeachment da presidente Dilma. Ele falou sentado na Mesa do Plenário, ao lado de Paulo Paim (PT-RS), que preside a sessão. A menção ao ‘golpe’ diante de senadores que julgam o caso causou indignação e acirrou os ânimos em plenário.

Paim, a pedidos, determinou a retirada da palavra “golpe” das notas taquigráficas.

– Espero que isso se possa resolver pelo bem do povo brasileiro. Há muitos em defesa de um possível golpe de Estado. Já houve em Honduras, no Paraguai, e se utiliza a mesma metodologia. Falei extensamente com a presidente Dilma e espero que saia o melhor – disse Esquivel.

Ele estava rodeado de senadores do PT. A senadora Ana Amélia (PP-RS), que estava na Tribuna, apenas agradeceu a presença dele, mas defendeu a democracia brasileira, afirmando que está se seguindo a Constituição na análise do impeachment.

– Fique tranquilo, porque estamos cumprindo nossa Constituição – disse Ana Amélia.

Mas o líder do DEM no Senado, Ronaldo Caiado (GO), reagiu indignado, afirmando que era inaceitável falar em golpe justamente no Senado.

– Não vou admitir que a Mesa do Senado se transforme em palanque do PT – disse Caiado.

O líder do governo no Senado, Humberto Costa (PT-PE), ficou irritado e ficou de dedo em riste em direção a Caiado. Paim pediu calma e informou que havia pedido para Esquivel fazer uma saudação, mas que não mencionasse a situação interna do país.

O senador Aloysio Nunes Ferreira (PSDB-SP) elogiou a figura do Prêmio Nobel e lamentou que ele tivesse sido “embrulhado” pelo PT.

– O conheço, é uma grande figura. É apenas foi embrulhado – disse o tucano.

O senador Cristovam Buarque (PPS-DF) disse que almoçaria com Esquivel e lamentou que não o tivesse alertado para a situação do país.

– O impeachment é tão golpe quanto o Brasil é uma pátria educadora.

Acho lamentável que tenha falado em golpe e que tenhamos sido comparados a Honduras e Paraguai. Seja o que acontecer, não será golpe – disse Cristovam.

O líder do PSDB no Senado, Cássio Cunha Lima (PB), disse que a sessão não poderia virar uma “esculhambação”.

– Enganaram o senhor Esquivel. Uma figura internacional foi enganada – disse Álvaro Dias (PR).

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