Número de leitos de internação diminui, mas cresce os de UTI, diz CFM

BRASÍLIA – O número de leitos de internação, voltados para pacientes que ficam por mais de 24 horas no hospital, vem caindo desde 2010 no Brasil. Mas entre as unidades de terapia intensiva (UTIs), dedicadas a tratamentos mais complexos, ocorre justamente o oposto, com um crescimento na quantidade de leitos no mesmo período. As conclusões são de levantamento divulgado na manhã desta terça-feira pelo Conselho Federal de Medicina (CFM), com base em dados do Cadastro Nacional de Estabelecimentos de Saúde (CNES), do Ministério da Saúde.

Desde 2010, o Brasil perdeu 23.565 mil leitos de internação hospitalar na rede pública. O levantamento anterior, de 2014, mostrava 14 mil unidades a menos. Ou seja, de lá para cá outros quase 10 mil leitos foram fechados. Desde 2010, houve queda em 19 estados. Eram 335,5 mil leitos em dezembro de 2010, e 312 mil em dezembro do ano passado, queda de 7%. Em números absolutos, pediatria, psiquiatria e obstetrícia foram as áreas mais afetadas. A psiquiatria responde sozinha por 10.801 leitos a menos.

No caso das UTIs da rede pública, ocorreu o contrário: passou de 33.425 para 40.960 leitos no mesmo período, um aumento de 22,5%. Mas, segundo o próprio CFM, em análise divulgada na segunda-feira, os leitos públicos de UTI estão mal distribuídos e são insuficientes para atender a população brasileira. Dos 5.570 municípios brasileiros, a grande maioria – 5.065 – não tinha leitos de UTI. sejam eles públicos ou privados.

O CFM também analisou os leitos de repouso ou observação, com permanência de até 24 horas na unidade de saúde. Nesse caso, houve um aumento de 13,9% entre dezembro de 2010 e dezembro de 201, passando de 81,8 mil para 93,1 mil.

Segundo o CFM, a queda nos leitos de internação acaba provocando atrasos no diagnóstico e no início de tratamento de pacientes, aumentando também a mortalidade. A especialidade de ortopedia e traumatologia foi a principal exceção, com 1820 leitos a mais. Na rede privada como um todo, também não houve queda, mas um crescimento de 2,2 mil no número de leitos.

Entre os estados, a maior queda de leitos de internação do SUS foi no Rio de Janeiro: 22%, passando de 32,047 em 2010 para 24.995 em 2015. Em seguida vêm Sergipe (21%), Distrito Federal (16,8%), Paraíba (12,2%), Acre (11,6%), Goiás (11,5%), Paraná (10,1%) e Minas Gerais (10,1%). Apenas oito estados viram um crescimento no número de leitos de internação, com destaque para Rondônia, que passou de 2.863 para 3.199 no período, uma elevação de 11,7%.

Curitiba apresentou queda de 19,8% no número de leitos de internação, a maior queda entre as capitais. O Rio de Janeiro aparece em seguida, com diminuição de 19,3%. Na outra ponta está Porto Velho: elevação de 38,06%.

O CFM também usou dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) para comparar o número de leitos hospitalares no Brasil com outros países. Aqui, são 2,3 leitos para cada 10 mil habitantes, no período de 2006 a 2012, dentro da média da América, mas abaixo da média mundial, que é de 2,7. O CFM destacou, porém, que a OMS não recomenda ou estabelece um índice ideal a ser alcançado. Entre os países citados, o índice é de 4,7 na Argentina, 3,1 na Espanha e 6,4 na França.

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