Mundo real ao volante de um carro de sonhos: o novo Audi TT Roadster

RIO – Há grandes diferenças entre usar um conversível na Europa e no Brasil. Lá, o sol é geralmente tênue, e invita a abrir o teto. Agora imagine encarar um engarrafamento nos 40°C do Rio — sem falar na curiosidade dos passageiros do Troncal 5, que tentam imaginar quem é o playboy tirando onda num Audi com placa de São Paulo. Mas encarar o mundo real a bordo de um TT Roadster também tem seus encantos — e muitos, como pudemos sentir ao longo de duas semanas de intensa convivência.

Com capota fechada, o motorista se sente em um cupê antigo, como o Porsche 356 B do início dos anos 1960. Apesar de toda a sua modernidade, a terceira geração do TT mantém o espírito de tempos mais suaves. O aconchego dá o tom e a ergonomia é perfeita. A relação homem/máquina é bem íntima, a começar pelo volante de ótima empunhadura, com base quadrada e um miolo meio SP-2. Forrado com pelica, é puro prazer tátil.

É impressionante a limpeza do desenho do painel. A Audi hoje é a melhor nisso e, entre todos os modelos de Ingolstadt, o TT é o que mais se destaca. É nas próprias saídas de ar-condicionado que se controlam o fluxo e a temperatura. Tiraram todos os botões desnecessários. Em um módulo central no console, há umas poucas teclas para navegação, telefone, mídia, além de um grande botão onde, com a ponta dos dedos, o motorista “escreve” letras para pedir um destino ao GPS. Tudo é intuitivo.

Um dos detalhes que mais chamam a atenção é o chamado cockpit virtual. Trata-se de um quadro de instrumentos inteiramente digital que pode ser configurado ao gosto do motorista. Se você estiver perdido, pode reduzir o tamanho do velocímetro e do conta-giros e, no lugar, abrir um enorme mapa.

Há cuidados por toda parte. Nos batentes das portas e sob o painel, por exemplo, há uma luzinha azul que ilumina o chão e a pedaleira.

Se comparado ao TT Coupé, o Roadster é pouco prático. Atrás dos bancos não há sequer um espacinho para sacolas. O único lugar onde se pode guardar algo é no porta-treco comprido entre os bancos. Como tem que abrigar as ferragens da capota, o porta-malas é raso. Quer passar o fim de semana na estrada (habitat de um conversível)? Leve pouca bagagem… Mas, ajeita daqui e dali, e conseguimos guardar uma mala com 23kg e uma bolsa de bom tamanho, pertencentes a uma amiga que pegava carona para o Galeão.

Aperte um botão e são dez segundos para abrir o teto. Para fechar, são apenas oito. Feita com tecido de alta qualidade, a capota é uma obra de arte em termos de isolamento de calor e de ruídos externos. Além disso, as ferragens não rangem e a vedação é excepcional, como atestamos após um toró de verão.

Você chama no acelerador, ouve uns pipoquinhos e sente que o escape do TT foi afinado para isso. Som meio rascante do motor 2.0 FSI, de 230cv, vem acompanhado por um certo alarido do turbo, que assovia para chamar a atenção.

Esse conversível é disposto, anda forte mas é simples de se comandar. No modo Dynamic, a direção fica mais firme e as respostas do motor e do câmbio automatizado de seis marchas são excitantes. Apesar das rodas gigantescas, com pneus 245/35 R19, o TT consegue ser suave com o motorista. É inacreditável o conforto que o carro oferece mesmo calçando esses Hankook Ventus S1 Evo tão largos!

Ponha no modo Comfort e você pode levar sua tia até a rodoviária que ela não vai reclamar. Aliás, pode até emprestar o carro para que ela dirija — de tão substerçante, o TT é facinho de guiar. Ao Brasil, o modelo chega apena a versão com tração dianteira. Nada de quatro, portanto (o que é até desculpável no caso do Roadster, carro mais para passeio do que para lenha). A plataforma da terceira geração dos TT é a mesma MQB usada no Golf VII.

CARRO PARA UM ROMANCE PLATÔNICO

Obra de Jürgen Löffler, o desenho da carroceria do novo TT já não parece tão revolucionário quanto o da primeira geração (1998), mas suas linhas mostram mais harmonia e caráter que as da segunda geração (2006).

Dirigindo manso, o consumo na cidade fica na casa dos 9,5km/l. Outro ponto positivo são os faróis de xênon que iluminam maravilhosamente bem em estradas. No carro avaliado, as ferragens do banco do carona faziam muito barulho em ruas esburacadas. Aliás, o cinto de segurança do carona também não estava bem, difícil de ser recolhido pelo mecanismo retrátil.

Os preços assustam: o TT Roadster custa R$ 267 mil, mas o valor não inclui opcionais como sensor de estacionamento dianteiro, chave por aproximação ou o som Bang & Olufsen, que somam R$ 10.500 à conta.

É um carro romântico? Pode ser, mas saiba que, por causa do enorme console central, sua companhia ficará bem afastada, afundada no banco lá longe…

FICHA: AUDI TT ROADSTER 2.0 FSI AMBITION

Preço: R$ 266.990

Origem: Alemanha

Motor: a gasolina, transversal, quatro cilindros, 16v, injeção direta, turbo; 1.984cm³, potência de 230cv (4.500rpm-6.200rpm) e torque máximo de 37,7kgfm (1.600rpm-4.300rpm)

Transmissão: câmbio automatizado de seis marchas. Tração dianteira

Suspensões: dianteira McPherson e traseira multibraço

Freios: a disco, ventilados, nas quatro roas

Pneus: 245/35 R19

Dimensões: comprimento de 4,17m, entre-eixos de 2,50m, largura de 1,83m e altura de 1,35m

Peso: 1.350kg

Porta-malas: 280 litros

Tanque: 50 litros

Desempenho: 0-100km/h em 6,1s e velocidade máxima de 250km/h

Consumo: 9,2km/l (cidade) e 14,2km/l (estrada)

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