Mudança de governo não significa fim da corrupção, diz procurador

SÃO PAULO. O procurador Deltan Dallagnol, um dos porta-vozes da Lava-Jato, afirmou nesta quinta-feira que a mudança de governo não deve ser vista pela população como um caminho para o fim da corrupção. Segundo ele, a corrupção é sistemática e não é privilégio de um único partido e apenas mudanças na legislação poderão resultar num país melhor.

– Vivemos um momento muito especial na História do país e nos preocupa que uma uma parcela da população veja a mudança de governo e mesmo as ações da Lava-Jato como como meio caminho contra a corrupção. Nós não concordamos com essa visão. A corrupção não é privilégio nenhum de um partido A ou partido B. A corrupção ocorreu ao longo de toda a História, é sistemática, endêmica – afirmou Dallagnol.

Dallagnol afirmou que tanto pessoas que defendem o impeachment da presidente Dilma Rousseff quanto pessoas que não querem que ele aconteça “alegam perseguição”, mas ressaltou que a investigação é técnica, imparcial e apartidária.

– É importante perceber que pessoas que defendem impeachment, assim como pessoas que não querem impeachment, alegam perseguição. A nossa investigação é técnica, imparcial e apartidária. O Ministério Público é uma organização independente – afirmou.

O procurador falou sobre a corrupção ao anunciar que a Lava-Jato já recuperou R$ 2,9 bilhões pagos em propina em contratos da Petrobras – quase 50% dos R$ 6,4 bilhões em propinas identificadas pela operação em contratos da estatal.

Segundo ele, a maior parte das prisões acabam sendo revogadas.

– Num levantamento recente, nós verificamos que entre os 180 acusados criminalmente, apenas 8% estavam presos – disse o procurador.

Dallagnol afirmou que o MPF já pediu o pagamento de R$ 37,5 bilhões de multas e ressarcimentos e que o prejuízo causado à estatal pelo esquema de propinas pode chegar a R$ 42 bilhões.

– É muito dinheiro – resumiu, lembrando que a investigação que mais recuperou dinheiro antes da Lava-Jato recuperou menos de R$ 100 milhões.

O procurador afirmou que boa parte das pessoas que alegavam perseguição no início da Lava-Jato hoje reconhecem os fato, entregam provas, devolvem valores e colaboram com a Justiça.

– A defesa usada é a defesa de desconstrução das investigações. É uma defesa política das investigações, porque a defesa jurídica acaba se revelando não muito profícua.

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