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MPF denuncia ex-senador Gim Argello e Ronan Maria Pinto

Da redação | 06/05/2016 18:20

SÃO PAULO, CURITIBA — O ex-senador Gim Argello e o empresário Ronan Maria Pinto, dono de empresas de ônibus no ABC paulista foram denunciados à Justiça Federal nesta sexta-feira pelo Ministério Público Federal. Os dois foram presos na 28ª e na 27ª fases da Operação Lava-Jato e haviam sido indiciados pela Polícia Federal na última terça-feira. As duas denúncias envolvem outros 18 acusados, entre eles os empresários Marcelo Odebrecht e Léo Pinheiro, Delúbio Soares, ex-tesoureiro do PT, e o publicitário Marcos Valério, já condenado no processo do mensalão.

O ex-senador Gim Argello, do PTB, e mais dez pessoas foram denunciadas por corrupção ativa e passiva, lavagem de dinheiro, organização criminosa e obstrução às investigações. Segundo o Ministério Público Federal, na condição de vice-presidente da CPI da Petrobras, em 2014, Argello pediu R$ 5 milhões para sete empreiteiras do cartel da Petrobras, para que seus dirigentes não fossem convocados a depor. Quatro delas pagaram: UTC, OAS, Toyo Setal e Odebrecht. Camargo Corrêa, Andrade Gutierrez e Engevix não teriam aceitado pagar.

– Gim Argello tornou a CPI um balcão de negócios – afirmou o procurador Athayde Costa.

Argello recebeu R$ 7,750 milhões em reais e 200 mil euros. Além dele, foram denunciados os empresários Léo Pinheiro, da OAS; Ricardo Pessoa, da UTC; e Marcelo Odebrecht, da Odebrecht, o filho de Argello, Jorge Afonso Argello Junior; dois assessores do ex-senador, Paulo Roxo e Valério Neves Campos; Walmir Pinheiro, diretor financeiro da UTC; José Zardi Ferreira, Dilson Paiva Filho e Cláudio Melo Filho.

O ex-senador recebeu da Toyo Setal R$ 200 mil em espécie e 200 mil euros. A UTC depositou R$ 5 milhões para quatro partidos políticos o DEM recebeu R$ 1,7 milhão; o PR ficou com R$ 1 milhão; PMN e PRTB receberam R$ 1,15 milhão cada um. A Odebrecht pagou R$ 200 mil para o PR, partido que também recebeu R$ 2 milhões da Toyo Setal. Os pagamentos aos partidos foram doações oficiais. Júlio Camargo, que atuou pela Toyo Setal, também pagou em espécie ao então senador R$ 200 mil em reais e 200 mil euros.

Para o Ministério Público, no caso da Camargo Corrêa houve concussão. Enquanto as demais empresas negociaram os valores em jantares, Argello não teria dado margem de opção a Gustavo Marques, gerente de relações institucionais da companhia, ao dizer que “há coisa que não se contesta, se executa”. A empreiteira não pagou a propina e Marques afirmou que, depois da negativa, Argello passou a pressionar a empresa, formulando várias perguntas sobre ela durante o depoimento de Meire Poza à CPMI. Meire era contadora do doleiro Alberto Youssef e sabia sobre os repasses de dinheiro da Camargo Corrêa.

– Essa denúncia mostra a gravidade dos fatos. Constitui uma espécie de corrupção da corrupção, corrupção ao quadrado, meta corrupção – disse o procurador Deltan Dallagnol, acrescentando que vários pagamentos de propina foram feitos por meio de doações legais, capazes de alterar o quadro de disputa eleitoral democrática.

– Quantas outras vezes isso não acontece e nós não descobrimos? – indagou.

A Odebrecht informou que não vai se manifestar. O advogado do ex-senador Gim Argello foi procurado, mas ainda não retornou.

PT teria feito pagamento a Ronan

O empresário Ronan Maria Pinto e mais oito pessoas foram denunciados por lavagem de dinheiro: o ex-tesoureiro do PT Delúbio Soares, o publicitário Marcos Valério, o empresário Natalino Bertin, que teria repassado o dinheiro para Ronan Maria Pinto, e outros intermediários, como Sandro Tordin, presidente do Banco Schahin, Enivaldo Quadrado, Luiz Carlos Casante, Breno Altman e Oswaldo Rodrigues Vieira Filho.

Ronan é acusado de receber R$ 5,7 milhões oriundos de um empréstimo fraudulento retirado em nome do pecuarista José Carlos Bumlai, amigo do ex-presidente Lula. Bumlai admitiu que tirou um empréstimo de R$ 12 milhões no banco Schahin para pagar dívidas de campanha do PT. O empréstimo não foi pago. Foi quitado fraudulentamente depois que o Grupo Schahin, dono do banco, obteve contrato de R$ 1,6 bilhão com a Petrobras.

Assim que recebeu o dinheiro do banco, Bumlai teria repassado ao Frigorífico Bertin, uma das empresas de Natalino Bertin, que teria providenciado que o dinheiro chegasse a Ronan por meio de terceiros.

Segundo o procurador Diogo Mattos, o publicitário Marcos Valério, que era operador do PT em 2004, arquitetou o plano para que o dinheiro chegasse a Ronan.

Os primeiros documentos envolvendo Ronan foram apreendidos no escritório da contadora do doleiro Alberto Youssef. Eram contratos de mútuo (empréstimo entre empresas) da S2, do publicitário Marcos Valério, com a Remar Assessoria, do Rio de Janeiro. Em seguida, num segundo contrato do tipo, a Remar repassou o dinheiro para a Expresso Santo André, de Ronan Maria Pinto.

O publicitário Marcos Valério, condenado a 37 anos de prisão no mensalão, afirmou em 2012, quando tentou firmar acordo de delação para reduzir sua pena, que Ronan havia chantageado dirigentes do PT e pedido dinheiro para comprar o jornal Diário do Grande ABC. O alvo da chantagem seriam informações sobre o assassinato de Celso Daniel, que era prefeito de Santo André e foi morto em 2002. Para o juiz Sérgio Moro, o caso pode estar ligado ao esquema de corrupção do PT. Quando foi assassinado, o prefeito era também tesoureiro da campanha que levou Lula à Presidência da República.

O lobista Fernando Soares, o Fernando Baiano afirmou em depoimento de delação premiada ter ouvido que o empréstimo “teria sido tomado para pagar chantagem que o presidente Lula estaria sofrendo”.

Delúbio Soares participou da reunião no Banco Schahin com José Carlos Bumlai, quando o empréstimo foi combinado. O jornalista Breno Altman, do site Brasil 247, foi citado por Marcos Valério. Ligado ao ex-ministro José Dirceu, ele teria providenciado pagamentos de multas a Enivaldo Quadrado, subordinado do doleiro Alberto Youssef flagrado no mensalão em irregularidades na corretora Bônus Banval.

Fernando José Costa, advogado de Ronan Maria Pinto, afirmou que está satisfeito porque foi excluído da denúncia o crime de extorsão, que havia sido aventado quando seu cliente foi preso. Segundo ele, a acusação de lavagem de dinheiro, um crime financeiro, “será devida e documentalmente afastada assim que a defesa puder apresentar e comprovar a prática de atos totalmente lícitos da parte do empresário em todas as operações financeiras enumeradas no processo, e realizadas sem a utilização de recursos públicos”. Costa disse que vai pedir a revogação da prisão de Ronan, pois ele não representa ameaça à investigação.

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