MPF apresenta duas denúncias contra o publicitário João Santana

SÃO PAULO — O Ministério Público Federal apresentou nesta quinta-feira duas denúncias à Justiça Federal do Paraná contra o publicitário João Santana, responsável pela campanha da presidente Dilma Rousseff, e a mulher dele, Mônica Moura. A primeira delas inclui João Vaccari Neto, ex-tesoureiro do PT e outras cinco pessoas: o operador Zwi Skornicki; os ex-funcionários da Petrobras Pedro Barusco, Renato Duque e Eduardo Vaz Musa e João Carlos de Medeiros Ferraz. A segunda envolve, além de Vaccari, o empresário Marcelo Odebrecht, ex-executivos e funcionários da empresa. No total, são 20 denunciados — oito na primeira denúncia e 12 na segunda.

João Santana e sua mulher, Mônica Moura, estão presos desde 22 de janeiro na sede da Polícia Federal, em Curitiba. Os dois tiveram prisão preventiva decretada na 23ª fase da Operação Lava-Jato, batizada de “Acarajé”.

Segundo investigações da PF, João Santana recebeu US$ 7,5 milhões em contas no exterior.

Deste total, US$ 4,5 milhões foram depositados pelo operador Zwi Skornicki, um dos alvos da primeira denúncia apresentada nesta quinta-feira contra Santana e Mônica.

Outros US$ 3 milhões foram repassados ao casal pela offshore Klienfeld, ligada à Odebrecht, em depósitos realizados entre abril de 2012 e março de 2013, cujos principais envolvidos fazem parte da segunda denúncia apresentada nesta quinta-feira pela força-tarefa do MPF. A Odebrecht pagou outros R$ 21,5 milhões no Brasil após as eleições de 2014, atribuídos ao codinome Feira, relacionado a Mônica Moura.

Santana comandou as três últimas campanhas do PT à Presidência — da presidente Dilma Rousseff, em 2010 e 2014, e a do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva em 2006.

O MPF já havia apresentado uma denúncia contra Santana e Mônica no fim de março e o pedido havia sido encaminhado para o Supremo Tribunal Federal depois que foram incluídas no inquérito planilhas demonstrando pagamentos da Odebrecht ao publicitário, com o codinome Feira, e a diversos outros codinomes que relacionavam a contribuições políticas.

Lava Jato já recuperou R$ 2,9 bilhões de propinas

A Lava-Jato já recuperou R$ 2,9 bilhões pagos em propina em contratos da Petrobras, informou nesta quinta-feira a força tarefa do Ministério Público Federal. Outros R$ 2,4 bilhões em bens de reus seguem bloqueados pela Justiça. O valor recuperado corresponde a quase 50% dos R$ 6,4 bilhões em propinas identificadas pela operação em contratos da Petrobras.

O Tribunal de Contas da União estimou em até R$ 29 bilhões o prejuízo que o esquema de corrupção causou aos cofres da estatal. Para a Polícia Federal, o prejuízo pode ter sido bem maior e alcançado R$ 42 bilhões. O MPF informou que, nas ações em curso, já solicitou o ressarcimento de R$ 21,8 bilhões aos cofres da estatal.

Com 28 fases já deflagradas, uma delas em Portugal, onde foi preso um dos lobistas acusados de repassar propinas para a área internacional da Petrobras, a Lava-Jato acumula 37 ações penais propostas pelo Ministério Público contra 179 pessoas físicas. Há ainda seis ações de improbidade administrativa que envolvem 16 empresas e 33 pessoas.

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