Moro diz que generosidade de empreiteiras com Lula 'gera dúvidas'

SÃO PAULO — O juiz Sérgio Moro afirmou em despacho que não se pode “concluir pela licitude” e que gera dúvidas “sobre a generosidade” os altos valores doados ou pagos pelas cinco maiores empreiteiras do país ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Camargo Correa, OAS, Odebrecht, Andrade Gutierrez e Queiroz Galvão doaram R$ 20,7 milhões ao Instituto Lula e pagaram R$ 9,920 milhões por palestras entre 2011 e 2014. De acordo com o juiz, documentos apreendidos nas construtoras mostram que a Odebrecht pagou R$ 449,5 mil líquidos por palestra de Lula. No caso da OAS, foram US$ 200 mil, o equivalente a R$ 740 mil pelo câmbio desta sexta-feira (R$ 3,70).

“Embora o ex-presidente seja pessoa de elevado prestígio político, inclusive internacional, no contexto do esquema criminoso da Petrobras, esses valores, assim tão expressivos, não deixam de chamar a atenção”, disse Moro, ao autorizar a busca e apreensão em endereços do ex-presidente e de seus parentes.

As quebras de sigilo fiscal e bancário do Instituto Lula e da LILS Palestras mostraram pagamentos que, segundo Moro, são suspeitos. Ao mesmo tempo em que receberam das empreiteiras que participaram do esquema de corrupção na Petrobras, o Instituto Lula fez pagamentos “vultosos” a empresas de parentes do ex-presidente.

A G4 Entrenimento, que pertence à Fábio Luís, filho de Lula, com Kalil Bittar e Fernando Bittar recebeu R$ 1,349 milhão do Instituto Lula. Outros R$ 114.000,00 foram pagos para a empresa Flexbr Tecnologia, de outros filhos do ex-presidente – Marcos Claudio Lula da Silva, Sandro Luis Lula da Silva e a nora Marlene Araújo Lula da Silva. Luis Claudio Lula da Silva, por sua vez, recebeu $ 227.138,85 entre 2011 e 2013. A empresa de palestras LILS também efetuou pagamento de R$ 72.621,20 à Flexbr.

Moro afirma que o Ministério Pùblico Federal questiona se Lula desconheceria as fraudes na Petrobras, já que seria ele, além de chefe do governo, o “responsável por dar a última palavra no loteamento político da Petrobrás” e beneficiário, pelo menos indireto, do financiamento ilícito do Partido dos Trabalhadores. Pondera que é preciso aprofundar as investigações, mas afirma que surgiram indícios de envolvimento de Lula.

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