Moro: divulgação de áudios ‘é utilidade pública’

CURITIBA – Em palestra a auditores fiscais da Receita Federal na noite desta quinta-feira, o juiz Sérgio Moro afirmou que “faz parte da condição humana se corromper”. Esta é a primeira aparição pública do juiz desde que ele levantou o sigilo das escutas telefônicas que revelaram diálogo entre o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e a presidente Dilma Rousseff em que ambos discutem um termo de posse. O áudio levantou suspeitas de que a posse do ministro servia para obstruir a Justiça. O juiz disse ainda que as interceptações telefônicas e telemáticas não são as principais provas usadas na Lava-Jato. Eles disse que as escutas não são a “rainha das provas”

— A prova de interceptação seja telemática ou telefônica não seja a rainha das provas neste caso (a Operação Lava-Jato). Apesar que em alguns deles, tenha sido mais relevante — afirmou o juiz.

Sem citar as últimas polêmicas – quando foi acusado pelo governo e pelo ex-presidente Lula de cometer ilegalidade ao compartilhar as escutas contra o líder petista e seus familiares -, Moro afirmou que o compartilhamento de dados tem que acontecer por interesse público.

— A privacidade já foi quebrada lá trás quando o juízo autorizou a interceptação ou quebra de sigilo. Não há uma segunda quebra de privacidade. O que há é o compartilhamento para utilidade pública. O resultado da prova pode ser compartilhado desde que de interesse público.

Ele evitou citar nomes de investigados, mesmo que condenados, para “não entrar em polêmicas desnecessárias”. Sem falar o nome, ele explicou o caso do ex-ministro José Dirceu que recebeu propina em 2012 quando era julgado pelo caso do mensalão.

— Constatar isso é uma certa deterioração — afirmou e completou:

— A corrupção, vamos ser franco, é algo que acontece em qualquer país, em qualquer local. Faz parte da condução humana se corromper.

O juiz chegou ao hotel Bourbon, onde é o palestrante principal do seminário de lavagem de dinheiro do União Nacional dos Auditores Fiscais do Brasil, por volta das 19h45, sob um forte esquema de segurança. Um grupo de hóspedes, que esperava no hall, ficou frustado ao perceber que o carro que trouxe o juiz entrou pela garagem e Moro usou um elevador reservado para chegar ao andar do auditório. Antes da chegada do juiz, os agentes da Justiça e policiais federais fizeram uma varredura no hotel Bourbon. Eles percorreram o andar do evento procurando objetos suspeitos.

ver mais notícias