Moro deve mandar planilhas da Odebrecht para o STF

SÃO PAULO – O juiz Sérgio Moro deve enviar, na próxima semana, para o Supremo Tribunal Federal (STF) as planilhas com lista de pagamentos feitos pela Odebrecht a políticos. O documento foi apreendido na residência do executivo Benedicto Barbosa da Silva Júnior.

“Decidirei a questão na próxima segunda-feira, mas é provável a remessa de ambos os feitos à Egrégia Suprema Corte diante da apreensão na residência do executivo Benedicto Barbosa da Silva Júnior de planilhas identificando pagamentos a autoridades com foro privilegiado”, escreveu Moro, em despacho neste sábado.

Moro determinou ainda a soltura dos nove executivos da Odebrecht que haviam sido presos no último dia 22 na 26ª fase da Operação Lava-Jato, batizada de Xepa, porque as prisões temporárias de cinco dias venceram neste sábado. Também decidiu, porém, que eles devem entregar os seus passaportes para a Polícia Federal para que não possam deixar o país.

Serão soltos os executivos: Álvaro José Galliez Novis, Antônio Claudio Albernaz Cordeiro, Antônio Pessoa de Souza Couto, Isaias Ubiraci Chaves Santos, João Alberto Lovera, Paul Elie Altit, Roberto Prisco Paraíso Ramos, Rodrigo Costa Melo e Sergio Luiz Neves.

QUALQUER CONCLUSÃO É PREMATURA

De acordo o magistrado, ainda não é possível saber se os mais de 200 nomes de políticos que aparecem nas planilhas apreendidas pela PF receberam valores ilegais.

“É certo que, quanto a essas planilhas apreendidas na residência do executivo, é prematura qualquer conclusão quanto à natureza deles, se ilícitos ou não, já que não se trata de apreensão no Setor de Operações Estruturadas da Odebrecht, através do qual eram realizados os pagamentos subreptícios (de propina, por exemplo, aos agentes da Petrobras), e o referido Grupo Odebrecht realizou, notoriamente, diversas doações eleitorais registradas nos últimos anos”, prossegue Moro.

Ainda segundo o juiz, o ideal seria antes aprofundar as investigações “para remeter os processos apenas diante de indícios mais concretos de que esses pagamentos seriam também ilícitos”. “Diante, porém, da apreensão e identificação da referida planilha, a cautela recomenda, porém, que a questão seja submetida desde logo ao Egrégio Supremo Tribunal Federal”, frisou, no despacho.

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