Ministros do PT e PMDB deixam cargos para votar contra o impeachment

BRASÍLIA – A presidente Dilma Rousseff exonerou cinco ministros nesta quinta-feira. Quatro deles são deputados e, com isso, estão liberados para votar na Câmara contra o processo de impeachment, previsto para ocorrer no domingo. As exonerações foram publicadas no Diário Oficial da União.

O agora ex-ministro da Saúde Marcelo Castro (PMDB-PI) afirmou que se tivesse posição diferente a essa perderia o respeito por si mesmo. Castro disse que apoiou e votou em todos os governos do PT, desde 2002, e que não pode mudar de opinião em três dias.

— Minha posição é tranquila, segura e transparente. Sou contra o impeachment. E é muito fácil explicar para a opinião pública do meu país. Até hoje eu era ministro da presidente Dilma. Ora, se sou ministro do governo Dilma é porque aprovao esse governo. Porque, se não aprovasse, deveria ter saído há mais tempo. Daqui até domingo são três dias. Será que vou mudar de opinião em três dias?! Se fizesse isso eu perderia respeito que tenho por mim mesmo. A minha posição é a mais transparente e límpida possível — disse Marcelo Castro.

Com a ala pró-impeachment crescendo nos últimos dias, o reforço dos ministros é importante para angariar votas favoráveis a Dilma. São eles: Mauro Lopes (PMDB-MG), da Secretaria de Aviação Civil; Celso Pansera (PMDB-RJ), do Ministério de Ciência, Tecnologia e Inovação; Marcelo Castro (PMDB-PI), do Ministério da Saúde; e Patrus Ananias (PT-MG), do Ministério do Desenvolvimento Agrário.

Apesar da exoneração, o Palácio do Planalto tratou Patrus Ananias como ministro em comunicado à imprensa com um resumo da agenda do governo nesta quinta-feira. Às 10h, informou o Planalto, o “Ministro Patrus visita o novo representante do Instituto Interamericano de Cooperação para a Agricultura (IICA) no Brasil, Hernán Chiriboga”. Depois, às 11h, “o ministro participa de audiência com o Movimento de Libertação dos Sem Terra (MLST)”.

Completa a lista Gilberto Occhi, do Ministério da Integração Nacional. Ele entregou sua carta de demissão na quarta-feira, após seu partido, o PP, ter anunciado o desembarque do governo. Na quarta, a bancada do PP na Câmara anunciou apoio ao impeachment e, com isso, levou o partido a entregar os cargos que tinha.

Para o lugar de Occhi, foi nomeado, interinamente, José Rodrigues Pinheiro Dória. Ele comanda a Secretaria Nacional de Irrigação, ligada à pasta, e, por enquanto, acumulará as duas funções. Uma breve biografia disponível no site do ministério descreve Dória como “administrador com ênfase em Gestão de Recursos Humanos, pós-graduado em Administração Pública e Gerência de Cidades”. Ele é natural de Santos Dumont (MG) e já foi superintendente da Companhia Brasileira de Trens Urbanos (CBTU), em Belo Horizonte, secretário adjunto de Transporte e Obras Públicas de Minas Gerais, vice-presidente da Fundação Rural Mineira (Ruralminas), e assessor parlamentar na Assembleia Legislativa mineira.

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