Ministro demitido iria declarar cinco empresas inidôneas, dizem assessores

BRASÍLIA – No dia em que pediu demissão, na segunda-feira, o ex-ministro da Transparência Fabiano Silveira planejava declarar cinco empresas inidôneas, ou seja, proibí-las de firmar contratos com o governo. Entre elas estavam Mendes Júnior, Skanska, Iesa e Jaraguá. Todas estão envolvidas na Lava-Jato.

De acordo com interlocutores do ministério, os processos estavam prontos na mesa do então ministro para que ele os assinasse nesta segunda, mas servidores impediram que ele sequer entrasse no prédio da pasta, após o “Fantástico” divulgar gravações em que Silveira critica a condução da Lava-Jato e orienta o presidente do Senado, Renan Calheiros, a como agir no processo. Pela noite, depois de conversar com o presidente interino Michel Temer, Silveira pediu demissão, mas ressaltou que as conversas eram “simples opinião”.

No caso da Mendes Junior, a empreiteira já havia sido declarada inidônea pela CGU há cerca de um mês, ainda sob o comando do ministro Luiz Navarro, mas havia recorrido. Segundo auxiliares, Fabiano Silveira iria indeferir o recurso final para a empresa, e ela ficaria impedida de contratar com o governo.

Ainda segundo auxiliares, Fabiano Silveira pretendia trabalhar com uma nova lei de leniência na qual o Ministério Público Federal, a Polícia Federal e outros órgãos tivessem mais participação nas decisões. . Silveira já teria iniciado conversas com representantes dessas pastas e teria obtido sinais positivos. Ainda não estava decidido de que modo essa nova lei seria encaminhada. A MP editada pela então presidente Dilma Rousseff perdeu na validade nesta terça-feira.

Procurado, o Ministério da Transparência afirmou que não confirma possíveis decisões do ex-ministro, alegando questões de sigilo.

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