Miguel Reale defende saída de Dilma para ‘salvar o Brasil’

SÃO PAULO. Autor do pedido de impeachment da presidente Dilma Rousseff, o jurista Miguel Reale Jr. disse, nesta sexta, que “cada vez mais se acentua a necessidade de tirar a petista para salvar o Brasil”. Em encontro com advogados no Centro de São Paulo, Reale afirmou ainda que acha absurda a ideia de novas eleições.

A jornalistas, Reale mostrou sua visão sobre a troca de cargos que o governo vem promovendo para tentar conquistar votos favoráveis à permanência de Dilma. Segundo ele, “estamos assistindo a um filminho de faroeste”.

– Se corta a nota de dólar no meio e se entrega a outra metade após a votação. Mas parece que o vento não está favorável a essa divisão do butim e cada vez mais se acentua a necessidade de tirar a Dilma para salvar o Brasil – opinou:

– Já não é mais nenhuma questão de partido, mas pessoal. Os deputados sabem que será transmitido pela televisão, que a votação é aberta, e eles podem escolher entre o bolso e a honra – concluiu.

Sobre uma possível saída do vice-presidente Michel Temer, principalmente após a construtora Andrade Gutierrez declarar que pagou a campanha da chapa PT/PMDB com dinheiro de propina, Reale disse acreditar que não há motivo para impeachment do vice.

– Isso é a chapa. É um processo que está tramitando no TSE e que demora. Hoje mesmo dizem que esse processo só terá fim em 2017, porque nem começou a instrução. E o Brasil não pode esperar até 2017.

Questionado se ele acompanhou a repercussão do discurso de Janaína, Reale disse que não viu os comentários, e sorriu.

– Só posso dizer que ela estava muito animada pelo sucesso do evento.

O semblante do jurista ficou sério, porém, ao comentar as propostas de novas eleições.

– Uma maluquice! Um ‘semipresidencialismo’ pode ser, mas sem reforma constitucional? O Brasil vai ficar parado fazendo reforma? Quem conduz esse país com ele derretendo? É ideia de jerico. E nem pode.

Questionado se há motivação política no pedido de impeachment de Dilma, como acusa a atual presidente, Reale foi taxativo:

– Você queria que ela dissesse o quê?

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