Marqueteiro de Lula e Dilma se põe à disposição da Lava-Jato

SÃO PAULO — O marqueteiro João Santana se colocou à disposição para prestar esclarecimentos à força tarefa da Lava-Jato após o juiz Sérgio Moro negar a seus advogados o acesso às investigações envolvendo o publicitário. Santana comandou as três últimas campanhas do PT à Presidência — da presidente Dilma Rousseff, em 2010 e 2014, e a do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva em 2006.

Em ofício encaminhado ao juiz Sérgio Moro neste sábado, o criminalista Fabio Tofic, que representa o publicitário e sua mulher e sócia, Mônica Moura, afirmou que os dois estão dispostos a prestar esclarecimentos em qualquer investigação que envolva os seus nomes. Tofic afirma que o casal “foge completamente ao perfil de investigados” na Operação Lava-Jato.

“São profissionais brasileiros de renome internacional no marketing político, cada centavo que receberam na vida sendo fruto exclusivo de seu trabalho absolutamente lícito”, afirma o documento.

O criminalista diz que os dois nunca foram funcionários públicos, nem tiveram contratos com o governo e “não são nem nunca foram operadores de propina ou lobistas”.

Tofic pede para que eles sejam ouvidos em caráter preliminar para evitar “conclusões precipitadas e prevenir danos irreparáveis” aos dois já que estão, hoje, trabalhando na campanha de reeleição do presidente da República Dominicana, Danilo Medina.

Na terça-feira, Moro negou acesso aos advogados de marqueteiro João Santana às investigações sobre os pagamentos realizados pela Odebrecht ao publicitário. Para o juiz, o sigilo é uma medida necessária para o rastreamento financeiro e que sua publicidade pode levar a “dissipação dos registros ou dos ativos”:

“Como diz o ditado, dinheiro tem coração de coelho e patas de lebre”, escreveu o juiz na última terça-feira.

Os investigadores da Lava-Jato encontraram indícios de pagamentos da construtora a João Santana em contas no exterior. A força-tarefa investiga se esses recursos são relativos a campanhas presidências no Brasil e no exterior.

Em nota, a Odebrecht informa que “desconhece o inquérito mencionado, portanto não tem condições de fazer qualquer comentário sobre ele”.

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