Machado passou a juntar propina para disputar governo do Ceará, diz filho

BRASÍLIA — Os dez depoimentos prestados por três filhos do ex-presidente da Transpetro —Expedito Machado Neto, Daniel Firmeza Machado e Sérgio Firmeza Machado — serviram para detalhar o caminho da propina paga ao pai no exterior. Expedito, por ser o mais próximo ao esquema de Sérgio Machado, foi o que mais falou, com oito termos de colaboração. Ele relatou os detalhes do caminho do dinheiro pago empresa por empresa. Segundo Expedito, o pai passou a amealhar propina porque planejava ter uma candidatura competitiva ao governo do Ceará. Os três filhos aderiram à delação premiada.

“À medida que a estatal crescia ele passou a pedir propinas para os políticos que o apoiavam. Seu pai resolver pedir propinas a um grupo pequeno de fornecedores. Destinou a maior parte destes recursos a políticos e resolveu reter uma parte para uma futura campanha a governador, seu grande sonho”, cita o registro do primeiro depoimento de Expedito. Ele detalhou como montou uma estrutura de contas na Suíça para receber repasses de sete empresas. O pedido para abertura de contas no exterior teria partido das empreiteiras.

O ex-presidente da Transpetro chegou a falar em “trauma” por não ter tido recursos para disputar uma campanha a governador do Ceará. Ele decidiu criar uma “reserva para garantir que pudesse posteriormente ter recursos para voltar a disputar em 2010”, como declarou aos procuradores da República. “O plano do depoente sempre foi, em 2010, ser candidato ao governador do Ceará”, registra um termo de colaboração. Machado não disputou o governo naquele ano. Ele foi candidato pelo PMDB em 2002.

Era Expedito quem atualizava Machado sobre os saldos dos pagamentos no exterior, segundo o ex-presidente da Transpetro. Uma única licitação rendeu R$ 18 milhões em depósitos em contas fora do país, conforme a delação.

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